Holistika

Um espaço que trata da saúde da alma, da mente e do corpo

Arquivo para Tarô

Cronos – com todo o tempo do mundo

O Eremita - Tarô Lunatic

O velho e bom Eremita. Há muito não o olhava nos olhos. Há muito não dedicava à sua santa figura um momento de atenção. Falta de tempo? Talvez. O mais provável é que eu tenha negligenciado sua existência e os  ensinamentos de quem já caminhou muito, já viu de um tudo e pouco fala.

O momento é de silêncio, introspecção, lentidão ao ruminar as ideias, os fatos. Passo a passo, vou seguindo o caminho. Vez por outra piso em uma pedrinha, vez por outra encontro um calçamento lisinho e gelado, refrescante para os calos.

O momento também é de deixar fervilhar os pensamentos e as lembranças. Tenho identificado muitos momentos agradáveis do passado através de cheiros, lugares, músicas, roupas e pessoas. Esta semana já voltei ao passado umas 15 vezes. É legal quando a viagem nesse túnel do tempo nos leva a boas paragens. Nem sempre isso acontece, mas a vida não é um parquinho de diversões, mas também não chega a ser um filme de terror.

Quando somos jovens temos pressa, andamos rápido, quase não pensamos antes de agir e inevitavelmente muitas vezes quebramos a cara. Na velhice, nossos gestos são mais lentos, num simples virar de rosto, ao levantar de uma cadeira, ao caminhar. Vejo tanta beleza e autoridade nisso. O envelhecer. Não falo da decreptude nem da senilidade, mas do entardecer do corpo e da mente, que pouco a pouco vão apagando as luzes de uma vida trilhada. Mas, enquanto esse declínio se dá, a alma brilha! A mim parece que a alma vai ficando cada vez mais límpida e pura novamente, com o passar dos anos, como quando éramos bebês.

Tão linda a inocência dos velhos de cabelos brancos e faces vincadas! Tão linda a pureza dos olhos das crianças que ainda não conhecem a mentira!

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O olhar da Monalisa

Tomei um susto quando tirei A Justiça ao sortear entre as cartas do tarô. Uma bela cena. Uma bela mensagem de símbolos. Uma bela visão.

A visão de uma mulher imóvel, impassível, que porta uma balança, cujos pratos estão equilibrados. Estática, mas viva. O olhar perdido (e cego) d’A Justiça me faz lembrar o olhar enigmático da Monalisa. Em que pensava aquela mulher na tela?

A Justiça - Tarô Nigel Jackson

A Justiça me parace, neste momento, um símbolo de “pagamento”, “retorno”, ” devolução”, “bumerangue”. O que há de bom e o que há de ruim está voltando para mim. Na verdade, eu me sinto, talvez pela primeira vez, não observando A Justiça e tentando adivinhar-lhe os significados, mas tenho a sensação de que EU estou agora vendo o mundo de sua perspectiva. E isso é absolutamente fantástico, porque me vejo sensata, tranquila, mas muito atenta e criteriosa para avaliar tudo o que está à minha volta. A gente normalmente fica olhando os arcanos do lado de cá, mas raramente nos colocamos no lugar deles para tentar entender o universo.

Ao ensaiar me pôr no lugar d’A Justiça me sinto içada à sua altura, à sua coerência. É uma grande honra. Agora, a melhor ação é a inércia.

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O oráculo nosso de cada hora

Quando eu tinha 24 anos ganhei meu primeiro tarô, de Marselha. Fiquei excitada com a ideia de poder estudar o significado das cartas, de poder mergulhar no conteúdo dos arquétipos e desde então a cada dia tem sido uma descoberta maravilhosa conhecer mais uma face desse fascinante diamante.

Vieram outros tarôs, uns comprados por mim mesma, outros me foram presenteados. E sempre é a mesma satisfação. Mergulhei também na numerologia, como forma de tecer analogia com o valor numérico dos arcanos e, assim, poder tirar as minhas conclusões quando me vejo diante de um determinado “número” que se destaca à minha frente.

Diante disso, descobri que não precisa ter um baralho imponente e colorido à minha frente para interpretar o que aquele arcano quer me dizer. Não tem o baralho? Tudo bem, posso chegar ao arcano através dos números. Os arcanos estão por toda parte. Nas placas dos automóveis, nas fachadas dos prédios, nas portas das residências, nos números de identidade, CPF, números de inscrição, dia do mês, etc., etc. e tal.

Recebi uma senha para esperar atendimento e o número é, por exemplo, 85? O recado é A Morte – Arcano XIII. Vamos viajar nas transformações, nas mudanças, nos cortes, nas mortes e nos nascimentos.

Quando isso se torna um exercício de observação, a gente chega à conclusão que não adianta fugir do arcano. Se ele está nos sinalizando, a melhor atitude a se tomar é deixá-lo falar, falar e falar através de nós. Ultimamente, tenho aberto meu coração para todos os arcanos temidos. Tenho procurado enxergar seu lado mais belo, lírico, fascinante.

Aliás, é tolice achar que alguns arcanos são “bons’ e outros são “malditos”. Isso é besteira. Se há necessidade de consultar o oráculo para uma questão que não quer calar, tiremos o tarô. Se não há um baralho à mão, a gente cria. Como eu me atenho sempre aos arcanos maiores, recorto 22 pedacinhos de papel e faço jogadas pequenas e objetivas. Funciona do mesmo jeito. Afinal, eu sei que o número 2 é sempre A Papisa, o 10 é a Roda da Fortuna e o 17 é A Estrela.

Se não houver papel, busco alguma maneira de obter um número de 1 a 22.

Há quem leia borra de café, copo de água, estrelas, espelhos, fogo, palitinhos de fósforo, runas, mãos, enfim, o instrumento é o que menos importa. O que vale é o canal mágico que conseguimos estabelecer com a intuição e o Eterno para obtermos nossas respostas.

Não acho que todas as pessoas têm que concordar comigo, mas espero que respeitem minha liberdade de interpretar o que o universo me sinaliza. Fico pensando como seria minha vida se não tivesse tido acesso a esses instrumentos de autoconhecimento. Certamente teria errado mais, estaria alguns degraus aquém do caminho que já trilhei.

Gratidão eterna aos oráculos que a cada dia me ensinam a desatar os nós cegos.

O Xis da Questão – A Roda da Fortuna

A Roda da Fortuna - Tarô Mitológico

Eu estava convicta de que iria escrever um post sobre solidão e a experiência de se estar só. No meio do caminho mudei de ideia e decidi escrever sobre um arcano. Pois muito bem, aqui vai.

O sorteado da vez é A Roda da Fortuna. Sorte a minha.

Sempre achei tão lindo o nome que dá título a essa lâmina! Mas, ao mesmo tempo, sempre achei complicado entendê-lo de imediato. Aliás, pretensão tola imaginar que se pode compreender um arcano em sua totalidade. Eu estudo tarô há mais de 20 anos e até hoje me surpreendo identificando aspectos que nunca havia percebido sobre esta ou aquela carta. E é isso que é fantástico no Tarô! Sua dinâmica! O Tarô é uma metamorfose ambulante (eu sei que já dissseram essa frase… tudo bem… mas é assim que eu vejo esse mágico conjunto de cartas).

O Décimo Arcano simboliza o destino, as mudanças a que estamos sujeitos, as alternâncias da vida. Demorei para entender isso com um tom menos piegas e de maneira mais vivenciada.

Um exemplo? Ok. Há muitos anos, uma colega jogou para mim e eu fui a primeira pessoa para quem ela abriu seu Tarô após tê-lo consagrado. As cartas estavam tinindo! E estavam mesmo. A única coisa de que me lembro daquele jogo foi que saiu uma Roda da Fortuna que a fez respirar fundo. Ela arregalou os olhos e me disse: “Você está prestes a passar por uma mudança muito radical em sua vida. Algo que você nem dimensiona”. Eu fiquei meio assustada, acreditei, mas realmente não tinha a menor ideia do que iria me acontecer. Em aproximadamente um mês eu mudei não apenas de casa, mas de Estado, definitivamente. Foi bárbaro. É isso, a Roda da Fortuna nos põe frente à frente com situações muito fortes, implacáveis e na maioria das vezes que nos fogem ao controle. Se essa mudança foi boa? Teve de tudo, assim é a vida.

O ideal é que tenhamos controle sobre nossas próprias emoções para suportarmos o sobe e desce dessa esfera cujo eixo central é perene, eterno, imutável e inexorável. É Ele… aquele que a tudo e a todos comanda, governa, rege e domina. Estamos atreladas ao Eterno, que nos conduz sabiamente por uma viagem, ora divertida, ora áspera.

Tirar o Arcano X hoje não me assusta mais, porque não tenho (e acho que nunca tive, de fato) mais medo das mudanças radicais. Elas às vezes nos conduzem a paragens muito felizes e o grande salto só depende de nosso esforço. O que não dá é para passar a vida inteira dando voltas no mesmo ponto, sem conseguir chegar a lugar nenhum.

Eu fico muito triste quando percebo que estou reincidindo no mesmo erro e para mim é uma grande felicidade perceber que quebrei um padrão, consegui discrever a curva uma oitava acima. Essa é a Roda da Fortuna que eu quero na minha vida! A Roda da Fortuna do sucesso, da ascenção, da “sacada”, da quebra de padrões equivocados. Eu precisava escrever este post para entender que realmente eu acabo de quebrar um padrão que há muitos anos – talvez vidas – me acompanhava. Mas isso é papo para um outro post, um outro arcano. Agradeço a Deus por ter tido acesso a esse canal de conexão divina chamado Tarô, que a cada dia tem me dado mais e mais.

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Sem medo n’A Casa de Deus

A Casa de Deus – Tarô de Marselha

Certa vez, após passar por um período longo de crise, em que tudo parecia haver desmoronado na minha vida, uma amiga destampou a seguinte frase: “Deus destrói para depois recriar”. Na hora eu não gostei, mas com o tempo foi inevitável dar a mão à palmatória.

No Arcano XVI, uma cena aterradora causa espanto. Uma torre é atingida por um raio e duas pessoas são lançadas ao solo. Perda, decepção, frustração. É um literal “quebrar a cara”. É isso. Mas… como tudo na vida tem um lado bom, a carta me remete também a um momento em que as máscaras caem e nos vemos obrigados a flexibilizar nossas próprias posturas rígidas, preconceituosas e imaturas. Quem nunca cresceu após quebrar a cara? Quem nunca aprendeu ao deixar para trás opiniões e hábitos equivocados?

Confesso que tinha muito medo desta carta e até hoje respiro fundo quando me deparo com ela. Mas em seguida conto até três e procuro o aprendizado que, certamente, vem a reboque. O problema é descobrir por que a tirei hoje?!

Dizem que pé de galinha não mata pinto e no baralho de Marselha esta lâmina mostra a torre sendo atingida não por um raio, exatamente, mas, sim, por uma pluma. Ou seja, o “castigo” divino é muito mais acalentador do que destruidor ou punitivo. Deus é pai e esta é a Casa de Deus.

Lembro que certa vez assisti à palestra de um amigo em um curso de ocultismo. Ele, que nunca havia estudado os arcanos, pesquisou, se debruçou sobre o assunto e fez uma das mais belas explanações sobre o tema. Querido amigo, obrigada por me mostrar a bela face d’A Torre.

Um raio pode matar aquele que por ele é atingido, mas também pode levá-lo à iluminação. O que determina as consequências do abalo é o teor dos sentimentos e pensamentos do rei caído.

E, por falar em Deus, quem disse que eu quero ficar presa num quartinho apertado, com uma janelinha que limita minha visão do horizonte? Quem disse que eu não quero me lançar na vida? Tudo bem, seria melhor usar uma asa delta, um pára-quedas. Mas, quando a gente tem que dar o salto e não consegue se lançar sozinho, o Eterno dá um “empurrãozinho”.

Essa carta também me faz lembrar que, nos momentos em que estamos mais desolados, descobrimos quem são nossos amigos de verdade. Quando não temos nada a proporcionar ao próximo, a gente descobre quem de fato torce por nossa felicidade e não pensa duas vezes em nos estender a mão. Após ter caído de uma torre imponente eu aprendi a identificar quem são meus amigos. Talvez se estivesse encastelada no meu mundinho eu jamais tivesse aprendido o verdadeiro valor da amizade. Deus destruiu a torre, mas me enviou amigos para suavizarem a minha queda.

Acho que eu venci uma etapa. Não tenho mais medo d’ A Torre.

Longo inverno no verão

Após longo e tenebroso inverno de muitas atividades… retomo os escritos na minha casinha virtual, Holistika. Confesso que ando meio enferrujada… mas… enfim, cá estou novamente e com força total. 

Para me redimir, embaralhei meu bolinho de cartas e começo a nova temporada falando sobre O Mundo, um belo arcano, mas um tanto controverso, ao menos para mim. 

Tarô Fenestra

 

Lembro que quando comecei a vasculhar o universo arquetípico dos 22 Arcanos Maiores me senti bastante atraída por esta carta. Glamourosa, com sua figura andrógina e dançante ao centro, cercada pelos quatro elementos, um grande barato. Mas os problemas surgiram… Primeiro: diante de uma cena tão linda, qual seria o aspecto negativo desta lâmina, se é que isso é possível??? Segundo: é o Arcano 21 ou o 22??? Ai ai ai ai ai … que complicação… Não quero entrar nesse mérito, levaria dias escrevendo. 

(Muitos) anos de (muita) leitura me fizeram optar pelo 21 e ponto. Não discuto com quem afirma que é o 22, mas também peço que me deixem quieta na escolha do meu modesto 21. Ufa! Feito isto, voltemos ao questionamento da sombra do meu modesto arcano 21… 

“Realização, felicidade, bem-aventurança, blá-blá-blá”. É. O papo é bonito, a simbologia da carta é fascinante. Mas diante de um cenário em que tudo parece tão perfeito, adequado, bem resolvido e radiante é possível esbarrar na auto-confiança, na arrogância, na sensação de que não há mais estrada a ser trilhada… e não dá para cochilar… não a essa altura do campeonato. 

E agora que tudo parece estar pronto? Quais são os novos projetos? O que falta fazer? Estou feliz com o que conquistei até o momento? E está realmente, de fato, tudo bem conquistado ou será que tem alguma pontinha solta?! É um caso a se pensar. 

Não é papo pessimista, mas sempre que troco figurinha com um grupo de amigas que gostam de conversar sobre o tarô percebo que há um entusiasmo quando se fala de O Mundo. 

Há alguns arcanos que brilham tanto que seu brilho ofusca a compreensão de sua sombra. É assim com O Mundo, O Sol, O Carro. E o contrário acontece com outros, tais como A Lua, A Torre, O Enforcado, que, de início, causam um arrepio de medo e desconfiança em quem os tira. Que nada. 

Tirar O Mundo, hoje, para mim me traz uma sensação de dever cumprido, mas também me faz parar para refletir se de fato eu estou fazendo o que quero, se é esta a vida que eu escolhi, que me faz feliz. Serei eu feliz? Ou será que devo iniciar uma nova mandala e trilhar mais uma vez a rota d‘ O Louco, até chegar novamente, uma oitava acima, no final da jornada?
A reflexão é boa e, como a vida segue, vou repensar meus valores e reavaliar meu atual cenário, mas, no geral, posso responder que sou, sim, uma pessoa feliz e realizada. 

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A coragem d’O Louco

O Louco. Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou um monte de conceitos sobre moral, ética, respeito à autoridade e outros babados mais. Eu acho que eu aprendi pelo menos a maioria desses ensinamentos. Mas, por que será que às vezes me sinto como um peixe que não pulou para fora da água? Sim, porque… eu tenho a impressão de que os peixes estão pulando fora da água e eu estou ficando aqui no marzão, sozinha… nadando… nadando… Quem é a louca? Sou eu?

Não faz muito tempo que eu era criança e hoje observo que os valores do mundo se invterteram completamente. Não sei se sou eu que estou subvertendo a ordem ou se é o mundo que está ao contrário. Ok, tudo é uma questão de ponto de vista, não é mesmo?

O Louco | Tarô David

O que é O Louco no Tarô? Ora, tem vasta literatura que trata disso. Aliás, este é um dos arcanos mais paparicados pelos estudiosos do assunto. O Louco é, não raro, associado aos irreverentes, irresponsáveis, artistas, inovadores, vanguardistas, sonhadores, precipitados, ousados, e por aí vai, blá blá blá blá blá blá.

Então tá. O arcano da vez é O Louco. A lâmina por si só já pulula nas mesas causando controvérsia. Há quem diga que ele é o zero, uns dizem que é o 21 e outros afirmam que ele é o 22. Na verdade, acho que isso é apenas um detalhe, o que importa é a força mágica do arquétipo e o que ele projeta.

O Louco é fascinante e fico muito feliz em sacá-lo do meu baralho para ocupar a telinha de Holistika, porque estou, de fato, precisando dar um salto. Não no vazio, para sucumbir no precipício, mas me lançar no espaço, sem fronteiras, etérea, livre, aerada.

O Louco me dá coragem. Não a coragem cheia de destemor d’O Carro ou a segurança d’O Imperador. Amo a pureza infantil desse Doido que não tem vergonha de assumir o que pensa, o que sente e que, sobretudo, tem a descaração de se jogar para a glória, a compreensão de tudo. Ou quase tudo. Pelo menos ele tenta.

Esta é uma ótima hora para eu Enlouquecer. Tenho vivido a sensação de que tudo está muito certinho. Está me faltando a surpresa. Belo puxão de orelha das cartas. Estou uma chata. Um tédio.

De todas as boas loucuras da vida, está me faltando mais lazer, mais riso, mais colorido, mais sabores na vida. Tudo bege… É hora de lançar mão do colorido despojado e desconexo d’O Louco! Vermelho, azul, branco, amarelo, todas as cores! Vamos tocar um instrumento musical, como os bardos! Vamos dançar uma modinha caipira, rodopiando no mesmo lugar! Vamos contar piadas, fazer os outros darem boas gargalhadas! Vamos sonhar em chegar lá, em conquistar, ou vamos simplesmente sonhar com o infinito! Customizar roupas batidas é uma boa ideia. Um corte sapeca nos cabelos providenciei na semana passada e amei!

Minha ligação com O Louco é pra lá de íntima. Nasci no dia d’O Louco, 1º de abril. Nada de dizer que é o Dia da Mentira. Na verdade, é o dia do faz de conta. De fazer de conta que se é rei, que se é vagabundo, que se é doutor, palhaço, moleque, brincalhão. O importante é sair da rotina, ser feliz e fazer o maior número de pessoas à nossa volta felizes. A vida é bela e breve e O Louco sabe disso. Por isso segue como uma metamorfose ambulante, por aí, traquinando.

Tenho um colega que curte Tarô e uma vez o vi colocando as cartas em ordem depois de terminar uma jogada. O Louco ficou por último. Onde ele o colocou? Não na frente, não no 21º nem no 22º lugar. Ele enfiou a carta no meio das outras cartas, sem ver onde caiu e disse: “O Louco é livre. Não obedece a convenções. Ninguém o prende. Ele transita livre dentro do baralho”. É isso aí. E concordo. Não é à toa que o coringa das cartas de baralho substituem qualquer outra carta. Os coringas são filhos d’O Louco.

Deus protege os bêbados, as crianças e os loucos.

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