Holistika

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Arquivo para cartas

O oráculo nosso de cada hora

Quando eu tinha 24 anos ganhei meu primeiro tarô, de Marselha. Fiquei excitada com a ideia de poder estudar o significado das cartas, de poder mergulhar no conteúdo dos arquétipos e desde então a cada dia tem sido uma descoberta maravilhosa conhecer mais uma face desse fascinante diamante.

Vieram outros tarôs, uns comprados por mim mesma, outros me foram presenteados. E sempre é a mesma satisfação. Mergulhei também na numerologia, como forma de tecer analogia com o valor numérico dos arcanos e, assim, poder tirar as minhas conclusões quando me vejo diante de um determinado “número” que se destaca à minha frente.

Diante disso, descobri que não precisa ter um baralho imponente e colorido à minha frente para interpretar o que aquele arcano quer me dizer. Não tem o baralho? Tudo bem, posso chegar ao arcano através dos números. Os arcanos estão por toda parte. Nas placas dos automóveis, nas fachadas dos prédios, nas portas das residências, nos números de identidade, CPF, números de inscrição, dia do mês, etc., etc. e tal.

Recebi uma senha para esperar atendimento e o número é, por exemplo, 85? O recado é A Morte – Arcano XIII. Vamos viajar nas transformações, nas mudanças, nos cortes, nas mortes e nos nascimentos.

Quando isso se torna um exercício de observação, a gente chega à conclusão que não adianta fugir do arcano. Se ele está nos sinalizando, a melhor atitude a se tomar é deixá-lo falar, falar e falar através de nós. Ultimamente, tenho aberto meu coração para todos os arcanos temidos. Tenho procurado enxergar seu lado mais belo, lírico, fascinante.

Aliás, é tolice achar que alguns arcanos são “bons’ e outros são “malditos”. Isso é besteira. Se há necessidade de consultar o oráculo para uma questão que não quer calar, tiremos o tarô. Se não há um baralho à mão, a gente cria. Como eu me atenho sempre aos arcanos maiores, recorto 22 pedacinhos de papel e faço jogadas pequenas e objetivas. Funciona do mesmo jeito. Afinal, eu sei que o número 2 é sempre A Papisa, o 10 é a Roda da Fortuna e o 17 é A Estrela.

Se não houver papel, busco alguma maneira de obter um número de 1 a 22.

Há quem leia borra de café, copo de água, estrelas, espelhos, fogo, palitinhos de fósforo, runas, mãos, enfim, o instrumento é o que menos importa. O que vale é o canal mágico que conseguimos estabelecer com a intuição e o Eterno para obtermos nossas respostas.

Não acho que todas as pessoas têm que concordar comigo, mas espero que respeitem minha liberdade de interpretar o que o universo me sinaliza. Fico pensando como seria minha vida se não tivesse tido acesso a esses instrumentos de autoconhecimento. Certamente teria errado mais, estaria alguns degraus aquém do caminho que já trilhei.

Gratidão eterna aos oráculos que a cada dia me ensinam a desatar os nós cegos.

Sem medo n’A Casa de Deus

A Casa de Deus – Tarô de Marselha

Certa vez, após passar por um período longo de crise, em que tudo parecia haver desmoronado na minha vida, uma amiga destampou a seguinte frase: “Deus destrói para depois recriar”. Na hora eu não gostei, mas com o tempo foi inevitável dar a mão à palmatória.

No Arcano XVI, uma cena aterradora causa espanto. Uma torre é atingida por um raio e duas pessoas são lançadas ao solo. Perda, decepção, frustração. É um literal “quebrar a cara”. É isso. Mas… como tudo na vida tem um lado bom, a carta me remete também a um momento em que as máscaras caem e nos vemos obrigados a flexibilizar nossas próprias posturas rígidas, preconceituosas e imaturas. Quem nunca cresceu após quebrar a cara? Quem nunca aprendeu ao deixar para trás opiniões e hábitos equivocados?

Confesso que tinha muito medo desta carta e até hoje respiro fundo quando me deparo com ela. Mas em seguida conto até três e procuro o aprendizado que, certamente, vem a reboque. O problema é descobrir por que a tirei hoje?!

Dizem que pé de galinha não mata pinto e no baralho de Marselha esta lâmina mostra a torre sendo atingida não por um raio, exatamente, mas, sim, por uma pluma. Ou seja, o “castigo” divino é muito mais acalentador do que destruidor ou punitivo. Deus é pai e esta é a Casa de Deus.

Lembro que certa vez assisti à palestra de um amigo em um curso de ocultismo. Ele, que nunca havia estudado os arcanos, pesquisou, se debruçou sobre o assunto e fez uma das mais belas explanações sobre o tema. Querido amigo, obrigada por me mostrar a bela face d’A Torre.

Um raio pode matar aquele que por ele é atingido, mas também pode levá-lo à iluminação. O que determina as consequências do abalo é o teor dos sentimentos e pensamentos do rei caído.

E, por falar em Deus, quem disse que eu quero ficar presa num quartinho apertado, com uma janelinha que limita minha visão do horizonte? Quem disse que eu não quero me lançar na vida? Tudo bem, seria melhor usar uma asa delta, um pára-quedas. Mas, quando a gente tem que dar o salto e não consegue se lançar sozinho, o Eterno dá um “empurrãozinho”.

Essa carta também me faz lembrar que, nos momentos em que estamos mais desolados, descobrimos quem são nossos amigos de verdade. Quando não temos nada a proporcionar ao próximo, a gente descobre quem de fato torce por nossa felicidade e não pensa duas vezes em nos estender a mão. Após ter caído de uma torre imponente eu aprendi a identificar quem são meus amigos. Talvez se estivesse encastelada no meu mundinho eu jamais tivesse aprendido o verdadeiro valor da amizade. Deus destruiu a torre, mas me enviou amigos para suavizarem a minha queda.

Acho que eu venci uma etapa. Não tenho mais medo d’ A Torre.

Longo inverno no verão

Após longo e tenebroso inverno de muitas atividades… retomo os escritos na minha casinha virtual, Holistika. Confesso que ando meio enferrujada… mas… enfim, cá estou novamente e com força total. 

Para me redimir, embaralhei meu bolinho de cartas e começo a nova temporada falando sobre O Mundo, um belo arcano, mas um tanto controverso, ao menos para mim. 

Tarô Fenestra

 

Lembro que quando comecei a vasculhar o universo arquetípico dos 22 Arcanos Maiores me senti bastante atraída por esta carta. Glamourosa, com sua figura andrógina e dançante ao centro, cercada pelos quatro elementos, um grande barato. Mas os problemas surgiram… Primeiro: diante de uma cena tão linda, qual seria o aspecto negativo desta lâmina, se é que isso é possível??? Segundo: é o Arcano 21 ou o 22??? Ai ai ai ai ai … que complicação… Não quero entrar nesse mérito, levaria dias escrevendo. 

(Muitos) anos de (muita) leitura me fizeram optar pelo 21 e ponto. Não discuto com quem afirma que é o 22, mas também peço que me deixem quieta na escolha do meu modesto 21. Ufa! Feito isto, voltemos ao questionamento da sombra do meu modesto arcano 21… 

“Realização, felicidade, bem-aventurança, blá-blá-blá”. É. O papo é bonito, a simbologia da carta é fascinante. Mas diante de um cenário em que tudo parece tão perfeito, adequado, bem resolvido e radiante é possível esbarrar na auto-confiança, na arrogância, na sensação de que não há mais estrada a ser trilhada… e não dá para cochilar… não a essa altura do campeonato. 

E agora que tudo parece estar pronto? Quais são os novos projetos? O que falta fazer? Estou feliz com o que conquistei até o momento? E está realmente, de fato, tudo bem conquistado ou será que tem alguma pontinha solta?! É um caso a se pensar. 

Não é papo pessimista, mas sempre que troco figurinha com um grupo de amigas que gostam de conversar sobre o tarô percebo que há um entusiasmo quando se fala de O Mundo. 

Há alguns arcanos que brilham tanto que seu brilho ofusca a compreensão de sua sombra. É assim com O Mundo, O Sol, O Carro. E o contrário acontece com outros, tais como A Lua, A Torre, O Enforcado, que, de início, causam um arrepio de medo e desconfiança em quem os tira. Que nada. 

Tirar O Mundo, hoje, para mim me traz uma sensação de dever cumprido, mas também me faz parar para refletir se de fato eu estou fazendo o que quero, se é esta a vida que eu escolhi, que me faz feliz. Serei eu feliz? Ou será que devo iniciar uma nova mandala e trilhar mais uma vez a rota d‘ O Louco, até chegar novamente, uma oitava acima, no final da jornada?
A reflexão é boa e, como a vida segue, vou repensar meus valores e reavaliar meu atual cenário, mas, no geral, posso responder que sou, sim, uma pessoa feliz e realizada. 

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