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Arquivo para Budismo

Semana da Mulher (4) – Helena Petrovna Blavatsky

 
Helena Petrovna Blavatsky

 Eu poderia dizer que foi muito difícil escolher uma mulher notável para homenagear na Semana da Mulher – dentre tantas figuras femininas memoráveis que por alguma louvável razão escreveram seus nomes nas páginas da história da humanidade –, mas não foi. 

Quando penso em uma mulher de valor, logo me vem à mente a figura rechonchudinha, de olhos enormes, azuis e expressivos de Helena Petrovna Blavatsky. 

Poucas mulheres, hoje em dia, têm coragem de ousar saber tanto quanto ela ousou desvendar. Poucas mulheres têm coragem de ir tão longe quanto Helena foi, no século XIX, cruzando oceanos, continentes, para lá e para cá, em busca de ensinamentos milenares que, uma vez compilados em sua valiosíssima obra literária, seriam a base para  a criação da Teosofia

Pertencente a família nobre e aristocrática russa, Helena nasceu em 1831. Dotada de rara inteligência, era considerada um prodígio e ainda bastante jovem era possuidora de uma trajetória de vida repleta de fatos curiosos que até hoje são estudados pela parapsicologia. A fim de conter sua natureza indômita, aos17 anos foi obrigada por seus pais a se casar com o velho general Nicephoré Blavatsky, união que durou apenas três meses. 

Em 1941, Helena foi para Londres e de lá seguiu para o Egito, Atenas, Smirna e Ásia Menor e tentou, sem sucesso penetrar no misterioso Tibete. 

Após ter viajado para a China, Japão, América e Índia, HPB tentou ainda por duas vezes penetrar no Tibete, sem sucesso. Na terceira tentativa, seu desejo foi realizado, em 1870, e lá recebeu instrução direta (em textos decorados) de lamas do budismo mahayana e transformou parte destes ensinamentos no mágico A Voz do Silêncio

HPB escreveu outros tantos livros ricos em conhecimento ocultista, mas A Voz do Silêncio de certa forma tem um papel especial na minha vida. 

Certo dia, quando eu tinha 21 anos, decidi ir ao cinema e tentar esquecer as dores de um amor não correspondido. Como eu estava desempregada e vivia com minha mãe, não tinha muito dinheiro na carteira. Mas foi o suficiente para comprar o ingresso e o melhor de todos os meus livros. Enquanto esperava a sessão começar, fiquei passeando pela galeria comercial onde havia o cinema e fui fazer hora em uma livraria. O título A Voz do Silêncio soou gritante na minha alma. Lia orelha e me apaixonei instantaneamente por aquela nova corrente filosófica. Era tudo o que eu precisava ler naquele momento da minha vida. O livro me transformou e me mostrou a ponta do iceberg chamado ocultismo – que eu ainda estou a descobrir. A partir dali nunca mais abandonei a literatura ocultista e passei a me interessar cada vez mais sobre o tema. 

O livro é um exercício de raciocínio, paciência e, sobretudo, mergulho na abstração da alma. Cheio de notas de rodapé, obriga o leitor a ir e vir por entre as páginas e reler incessantemente trechos que já foram lidos. Uma delícia! 

  Minha cabeça deu um nó e eu imediatamente saquei que meus sentimentos de mágoa não faziam o menor sentido diante da imensidão do universo, das leis universais, da grandeza de Deus. “Que mulher admirável é Helena Blavatsky”, pensei. 

Li o exemplar duas vezes e emprestei a duas pessoas. Uma delas não me devolveu e eu passei 5 anos tentando encontrar outro exemplar traduzido por Fernando Pessoa, pois o livro é raro. Encontrei ano passado na Saraiva! Ai, que felicidade! E estou relendo aos poucos, saboreando cada página novamente.  

Fernando Pessoa

Existem outras traduções, mas a de Fernando Pessoa é impagável, por motivos óbvios. O cara pirou quando começou a traduzir Blavatksy para o português. Se tornou teósofo e quase enlouqueceu quando se viu diante da profundidade dos textos teosóficos. Veja relato do mestre Pessoa sobre os textos de Blavatsky, em carta a seu amigo Mário de Sá-Carneiro: 

“Abalou-me a um ponto que eu julgaria hoje impossível, tratando-se de qualquer sistema religioso. O caráter extremamente vasto desta religião-filosofia, a noção de força, de domínio, desconhecimento superior e extra-humano que ressumam das obras teosóficas perturbaram-me muito. Coisa idêntica ocorrera-me há muito tempo com a leitura de um livro inglês sobre os Ritos e Mistérios da Rosacruz. A possibilidade de que ali, na Teosofia, esteja a Verdade Real me hante.” 

Já li muitos livros inesquecíveis, mas acho que esse é o meu preferido. Segue um aperitivo para quem gosta de ler e sentir fortes emoções na alma: 

“Acautela-te, discípulo, com essa sombra letal. Nenhuma luz que brilhe do Espírito pode dispersar a escuridão da Alma inferior, a não ser que todo o pensamento egoísta de lá tenha fugido, e que o peregrino diga: ‘Abdiquei deste corpo que passa; destruí a causa; as sombras, meros efeitos, não podem mais subsistir’. Porque teve lugar agora a última grande batalha, a guerra final entre o ser superior e o inferior.” A Voz do Silêncio 

Celebridades budistas

Andei meio errante pela internet, em busca de algo interessante para o Holistika. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que existe uma lista bem robusta de famosos que são adeptos do Budismo.

A lista especifica, inclusive, a corrente budista que as celebridades adotaram. Achei que esta seria uma boa oportunidade para destrinchar a milenar doutrina e associá-la a essas pessoas que povoam o imaginário popular.

buda

Zen-budismo: Zen ou Zen-budismo é o nome japonês da tradição C’han, surgida na China, e associada em suas origens ao Budismo do ramo Mahayana,sânscrito Mahāyāna, “Grande Veículo”, síntese doutrinária dos ensinamentos do Buddha Sakyamuni, ou Gautama Buddha, realizada por diversas escolas budistas por volta do século II. Cultivado sobretudo na China, Japão, Vietnã e Coréia. A prática básica do Zen na versão japonesa e monástica é o Zazen, tipo de meditação contemplativa que visa levar o praticante à “experiência direta da realidade”.

No Zen japonês monástico, há duas vertentes principais:Soto e Rinzai. Enquanto a escola Soto dá maior ênfase à meditação silenciosa, a escola Rinzai faz amplo uso dos koans, ou enigmas, charadas. Atualmente, o Zen é uma das escolas budistas mais conhecidas e de maior expansão noOcidente.

Segundo Allan Watts, inglês que se notabilizou pela divulgação do Zen no Ocidente a partir da terceira década do século XX, este, em sua forma original chinesa, não se encontra mais na China, e o que de mais próximo se pode conhecer desta versão original é encontrado em formas de Arte tradicionais do Japão, que tenham sido cultivadas e transmitidas segundo esta tradição.

Budismo de Nitiren: É é o conjunto de escolas que seguem o ensinamento budista de Nitiren, monge japonês do século XIII.

Entre outros pontos em comum, essas linhagens afirmam que o Sutra do Lótus torna os demais sutras budistas verdades parciais. Os ensinamentos anteriores teriam sido proferidos pelo Buddha Sakyamuni em caráter provisório, de acordo com a capacidade dos ouvintes, enquanto no Sutra do Lótus ele profere seus ensinos a partir de um ponto absoluto, segundo a interpretação do Sutra de Lótus e do Sutra do Nirvana por Nitiren.

Principalmente porque Buda deixou explícita a mensagem de que seria o Sutra Lótus o único Sutra a ser seguido, revela numa passagem do Sutra Lótus que: “Dentre os sutras, Este é o Rei soberano”. Sem margem de possibilidade de adoção de qualquer outro tipo de ensinamento.

Outro tópico essencial ao Budismo de Nitiren é a utilização de um único mantra,”NAM MYO HO RENGUE KYO”, que, em uma tradução simples, significa “Devoto-me à lei mística do Sutra de Lótus”, mas cujas sílabas desdobram-se em outros significados. De acordo com as escolas, O daimoku (como é chamado o mantra), encerraria em si a Lei do Universo e despertaria a natureza de Buda em quem recitasse.

Budismo de Theravada: O Teravada (do páli thera, “anciãos” e vada, “palavra, doutrina” , “Doutrina dos Anciãos”) é a escola budista mais antiga e viva até hoje. Ela atribui seu começo aos próprios ensinamentos doBuda através do textos do Cânone Páli (Tipitaka) e não considera canônicas as escrituras adotadas pelas escolas Maaiana eVajrayana.

O Teravada é uma das vinte escolas que surgiram nos primórdios do budismo. Nascida da divisão da comunidade monástica no Primeiro Concílio Budista, cem anos após a morte do Buda, é a única que se mantém viva até hoje. As outras escolas surgiram através de mesclagens, adaptações e reinterpretações dos conjuntos doutrinais dos primeiros séculos. Por se manter fiel ao Cânone Páli, o Teravada é considerado a mais ortodoxa das escolas.

Algumas vezes o Teravada é indevidamente chamado de escola Hinaiana, o que etimologicamente é um termo pejorativo (“pequeno veículo”). O mal-entendido existe do erro de interpretação de alguns textos antigos que citavam as escolas, Sarvastivada e Sautrantika, combatidas por um movimento filosófico emergente na época, o qual se autointitulou Maaiana (“grande veículo”). Os primeiros estudiosos ocidentais pensavam que o Teravada, por ser uma escola antiga, a única que chegou aos dias de hoje, seria a chamada escola Hinaiana. Apesar de pesquisas históricas atuais já terem desbancado tais suposições, muitos continuam mantendo tais idéias errôneas.

Os principais países onde esta escola está difundida são:Sri Lanka, Tailândia, Mianmar, Laos, Camboja e Bangladesh. Sua presença é expressiva em países como Vietnã e Malásia. Em décadas recentes o Teravada começou a fincar suas raízes no Ocidente, como nos Estados Unidos da América e Inglaterra. Atualmente o número de budistas desta escola em todo o mundo excede 100 milhões de pessoas.

Budismo Tibetano: Também chamado de budismo Vajrayana ou Lamaísmo, por ser o mais numeroso nessa categoria, tem suas práticas de meditação na forma de elaborados rituais, com leitura de saddhanas (textos litúrgicos), visualizações e instrumentos musicais. Possui uma tradição nas artes, como pinturas e esculturas, e também tradição em ordens monásticas, com ênfase no relacionamento alunos e lamas.

Pertence à vertente Maaiana do Budismo, e apesar de não se organizar como uma instituição, tem sua representação maior na figura do Dalai Lama.

As principais escolas são Nyingma, Kagyu, Gelug (escola à qual pertence o Dalai Lama) e Sakya.

O termo “Lamaísmo” provém do tibetano Lama, que significa “mestre” ou “superior”, e que designa, geralmente, os monges tibetanos, em especial os hierarquicamente superiores.

Esta denominação foi dada ao Budismo Tibetano pelos estudiosos europeus, principalmente, que se utilizaram deste termo para distingui-lo do Budismo Indiano e permitir que fosse dada ênfase ao seu caráter mágico. Segundo alguns outros autores, contudo, tal emprego da palavra é impróprio, pois tem a intenção de estabelecer distinções entre as duas correntes que, na verdade, não existem.

O Lamaísmo apresenta um duplo aspecto, assim como a maior parte das religiões orientais: o doutrinal e o popular.

A doutrina lamaica tem como base filosófica a manutenção e o desenvolvimento da tradição do Maaiana (mahayana, “grande veículo”), que se distingue do hinaiana (hinayana, “pequeno veículo”), que não tem um caráter de pura magia. Entretanto, o culto popular, em função da influência da religião mais antiga e nativa, apresenta várias divindades e uma conotação acentuadamente mágica.

Essa doutrina, em síntese, é bem menos conhecida que suas manifestações populares. Em razão disso, alguns estudiosos erroneamente exageram em seu aspecto mágico, estendendo-o também à prática monástica.

Atualmente, a tradição maaiana ou, mais precisamente, a vajrayana (tantrismo ou “Veículo do Diamante”) seguida no Tibete, é a única fonte conhecida para se estudar indiretamente o Budismo Indiano, que foi erradicado de onde se originou na Índia setentrional alguns séculos após sua dissiminação pelo Tibete.

 Celebridades budistas

  • Allen Ginsberg – Zen-budismo
  • Angelina Jolie – Budismo de Nitiren
  • Aung San Suu Kyi – Budismo Theravada
  • Betty Faria – Budismo de Nitiren
  • Brad Pitt – Budismo de Nitiren
  • Carmo Della Vecchia – Budismo de Nitiren
  • Cininha de Paula – Budismo de Nitiren
  • Cláudia Raia – Budismo de Nitiren
  • Courtney Love – Budismo de Nitiren
  • Christiane Torloni – Budismo Tibetano
  • David Bustamante – Budismo Tibetano
  • Dhu Moraes – Budismo de Nitiren
  • Diogo Vilela – Budismo de Nitiren
  • Edson Celulari – Budismo de Nitiren
  • Herbie Hancock – Budismo de Nitiren
  • Heródoto Barbeiro – Zen-budismo
  • Jet Li – Zen-budismo
  • Keanu Reeves – Budismo Tibetano
  • Larry Coryell – Budismo de Nitiren
  • Leonard Cohen – Zen-budismo
  • Lucélia Santos – Budismo Tibetano
  • Milene Domingues – Budismo de Nitiren
  • Odete Lara – Zen-budismo
  • Oliver Stone – Budismo Tibetano
  • Orlando Bloom – Budismo de Nitiren
  • Philip Glass – Budismo Tibetano
  • Richard Gere – Budismo Tibetano
  • Roberto Baggio – Budismo de Nitiren
  • Sharon Stone – Budismo Tibetano
  • Silvia Pfeifer – Budismo Tibetano
  • Soninha Francine – Budismo Tibetano
  • Steven Seagal – Budismo Tibetano
  • Tina Turner – Budismo de Nitiren
  • Wayne Shorter – Budismo de Nitiren
  • Penélope Cruz – Budismo de Nitiren

(Fonte: Wikipédia)