Holistika

Um espaço que trata da saúde da alma, da mente e do corpo

Arquivo para Ártemis

Entrevista: Iniciação de bruxos na Casa Telucama

Senhora Telucama, no Templo de Deméter

Depois da noite de tempestade, cheia de raios, relâmpagos e trovões que quase desmanchou Salvador no último domingo, o dia amanheceu ensolarado e com uma brisa suave na segunda-feira.

Eu havia marcado às 10 horas da manhã para chegar à casa de minha amiga Gracinha para entrevistá-la. Ou melhor, Graça Azevedo, Senhora Telucama, Suma-Sacerdotisa do templo de bruxaria tradicional celta, localizado em Ipitanda, Lauro de Freitas.

Ela me recebeu com o costumeiro sorriso sereno nos lábios e me pediu para esperar, enquanto acabava de realizar um atendimento na sala de banhos.

Sentei em uma das varandas do templo e logo tratei de viajar no som das ondas quebrando na praia, no canto dos passarinhos, alegres naquela manhã tão fresquinha e cheia de raios de sol. No lago, um sapo gritava, um fofo. Adoro sapos. Do meu lado, encontrei um cara muito legal, deitadinho em um banco. Um gato preto, lindo!!! Perguntei a um dos funcionários da casa qual era seu nome. “Mabon”, ele disse. Uau! Tínhamos algo em comum. Afinal, Mabon é o nome de um dos sabás que compõem a Roda do Ano das bruxas e eu conheci Gracinha em um chat usando o nickname Beltane, que também é o nome de um sabá. Alías, até hoje ela e as bruxas da casa só me chamam de Beltane ou, mais carinhosamente, Bel. Adoro! É meu nome de bruxa, digamos.

Mabon, o gato

 Brinquei com Mabon, que, gaiato, logo tratou de se esfregar nas minhas pernas e pulou no meu colo. Mas depois sucumbiu ao cantarolar das ondas e adormeceu, fechando seus lindos olhos verdes, cor de umbu novo.

De volta de seus afazeres, Gracinha sentou-se diante de mim, com um lindo vestido púrpura, e tinha o símbolo da lua crescente pintado na testa. Para meu deleite, ela exalava uma deliciosa essência de óleo de olíbano! Uma maravilha!

Um pingue-pongue sobre iniciação na bruxaria era o motivo do nosso encontro. Ao que minha amiga respondeu com sabedoria.

1. Holistika: Como acontece o processo de iniciação na bruxaria tradicional?

Senhora Telucama: Através de um colegiado. Nós obedecemos a critérios de passagem dos mistérios aos iniciados e por isso existe uma necessidade de graduação. Nossos ancestrais deram a vida para preservar nossa cultura e nós temos como critérios fundamentais para o ingresso do postulante o equilíbrio, a sensatez, o perfeito amor e a perfeita confiança. Nós avaliamos as pessoas que aqui chegam através de entrevistas e analisamos quais os reais motivos que as trazem aqui. Se vêm pelo modismo, curiosidade ou outra razão. Atualmente, é muito comum recebermos pessoas indicadas por quem já frequenta a casa, seus parentes e amigos. Uma vez feita a inscrição, a pessoa é aceita e passa a frequentar a Tenda do Cordão Branco, que é o grau de postulação. Em um ano, os postulantes vão estudar sobre toda a história oral da trajetória do homem no planeta Terra, desde o período paleolítico. Eles vivenciam dinâmicas de grupo, como processo de autoconhecimento sobre a visão da terapia holística. Paralelo a isso, passam a cumprir e vivenciar a Roda do Ano (lunar), que é composta pelas entradas e saídas das estações do ano, quando os sabás são celebrados. São necessários 7 anos até se chegar ao último grau (para sacerdotisa ou sacerdote). Com um ano e um dia, o postulante presta juramento por livre e espontânea vontade aos deuses, observando-se sempre o livre-arbítrio.

2. H: A bruxaria é uma religião milenar, que remonta a cerca de 10 mil anos. O que mais mudou desde os primórdios e o que se mantém inalterado?

ST: Nós não usamos mais o termo “religião” (que significa “religar”) porque temos a consciência de que nunca nos desligamos da divindade. Em todas as encarnações, buscamos uma adaptação metodológica do sistema histórico em que estamos envolvidos. Por exemplo, hoje as bruxas organizam o colegiado de forma didática de forma a suprir as necessidades sociais e culturais. Antigamente, as bruxas moravam nas escolas, hoje as aulas acontecem uma vez por semana. Utilizamos a internet para nossa comunicação, mas fazemos questão de manter a passagem do conhecimento em 70% através da tradição oral. Isso não muda, a oralidade é a nossa força. O postulante começa a aprender o sigilo desde o primeiro ano, mas os mistérios começam a ser passados a partir do terceiro ano. Isso cria os vínculos de amor e confiança, tornando-nos uma verdadeira família.

“Se não há prática,

as brumas se encarregam

de apagar o conhecimento”

3. H: O que faz as pessoas optarem, nos dias atuais, pelo ingresso na Antiga Religião?

ST: Felizmente, hoje observamos pessoas mais maduras, homens e mulheres numa faixa etária que vai dos 18 aos 80 anos. Eles buscam a paz interior e, como a bruxaria estabelece uma conexão com a divindade através da natureza, isso proporciona uma sensação de paz e alegria. É uma filosofia sedutora e complexa. As pessoas estão buscando viver com mais simplicidade, estão buscando o retorno às coisas simples da vida, sem a artificialidade do mundo industrializado. Aqui tudo é natural, nossos alimentos, o herbarismo, enfim, lidamos todo o tempo com elementos da natureza.

4. H: De que é feito um grande bruxo (ou bruxa)?

ST: Em primeiro lugar, lucidez para discernir o que é certo e o que é errado. Em segundo, deve ter disponibilidade para o aprendizado. Em terceiro, deve ter comprometimento consigo mesmo e com a natureza.

5. H: O que é inaceitável em um bruxo?

ST: A deslealdade. Não tanto a infidelidade, porque essa é circunstancial, mas a deslealdade é uma questão de caráter e contra isso não há bruxaria. É uma questão muito séria, pois o processo iniciático envolve juramentos.

6. H: O que acontece quando um bruxo que atingiu os últimos graus abandona o caminho?

ST: É uma questão de livre-arbítrio. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e isso é uma questão pessoal. A partir do momento que ele ou ela se desconecta, os mistérios aos poucos vão se diluindo. Se não há prática, as brumas se encarregam de apagar o conhecimento.

7. H: Fale a respeito de uma prova decisiva para um bruxo que está trilhando a iniciação.

ST: Quando o postulante está prestes a passar para o cordão verde, avaliamos seu comportamento e sua dedicação.

8. H: Eu já tive a oportunidade de ver uma bruxa comandar o fogo e abrir uma clareira num céu de nuvens em noite de sabá, para neutralizar por algumas horas o fenômeno da chuva, a fim de que a festa transcorresse com a fogueira acesa e todo o ritual se consumasse. Essa e outras formas de expressão de comando e controle das forças da natureza fazem parte do dia-a-dia de um bruxo. De posse de tantas “habilidades”, seria a vaidade um mal a ser exorcizado pelos bruxos? Como isso se desenvolve?

ST: Quando um bruxo chega ao patamar do uso contínuo de suas habilidades, sobretudo as relativas a fenômenos físicos, ele é observado na sua humildade e na sua lucidez. Caso se verifique que cometeu algum deslize, seus graus são confiscados e ele terá de repetir por um ano tudo que vivenciou naquela etapa. E isso tudo lhe é explicado e justificado. Isso é muito comum acontecer. Há, inclusive, o caso de uma filha que teve de esperar por 6 anos para mudar de grau por vaidade e mau uso do conhecimento.

9.H: A Antiga Religião foi totalmente edificada em sintonia com as forças da natureza. As principais celebrações acontecem nos equinócios e nos soltícios; os animais têm papel fundamental e de destaque, bem como toda a flora. Como a bruxaria encara o atual momento de violenta agressão a que o homem está submetendo o planeta? Isso está afetando a religião?

A Roda do Ano

ST: A religião está sofrendo e nós buscamos amenizar esse desequilíbrio, como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta carregando um pouco de água no bico, em viagens intermináveis de idas e vindas. Louvamos a terra, celebramos os elementos. Essa é a nossa parte. Mas, infelizmente, todas as civilizações, de uma forma ou de outra, mexeram com a natureza, que sempre se rebela.

10.H: Por que ser um bruxo?

ST: Bruxaria é sabedoria é a busca da essência do ser que vive em perfeita harmonia com a vida.

11. H: Qual é o “coração” da Casa Telucama? Energeticamente, onde está localizado o ponto central?

ST: Há vários “corações” na casa e nós respeitamos a energia de cada ponto. Cada deusa da tríplice aliança que rege a casa é um desses pontos. Temos no templo de Deméter a energia da mãe. No de Hécate, vigora a energia da sábia anciã e no de Ártemis reina a jovem buscadora. São esses os três pilares fundamentais, mas há ainda a grande acolhedora, Gaia.

********************************************************************************************************
Saiba mais sobre:

Casa Telucama

A Roda do Ano e os Sabás 

Atendimentos de Cura:

1. Oráculos: tarô, runas, água, cristal

2. Terapias: banhos, Reiki, Alinhamento de chacras

Tel.: (71) 3378-1758 e 3287-0622

senhoratelucama@terra.com.br

Semana da Mulher (5) – O Arquétipo da Deusa

Com que deusa do panteão grego você mais se identifica? Mulheres são fantásticas, ardilosas, emotivas, misteriosas, tiranas, atletas, poderosas, líricas, sedutoras. Somos muitas em uma só. E é por isso que somos fascinantes. Neste 8 de março, quando se comemora o Dia da Mulher (besteira, todos os dias são nossos), segue minha homenagem a nós, seres especiais, criadoras, mantenedoras e transformadoras, como Shiva. Quem é Shiva? Isso é papo pra outro post.

Há alguns anos, quando conheci o livro A Deusa Interior (de Jennifer Barker Woolger e Roger J. Woolger), mergulhei no multifacetado universo feminino desses maravilhosos perfis. O mais importante é percebermos que não somos apenas uma, mas todas elas, em diferentes percentuais. Ora um pouco Deméter, ora mais Ártemis, ora bastante Hera.

Tentar descrever o livro é muito pouco. A leitura é obrigatória para toda mulher que busca auto-conhecimento e também é válido para os homens que se interessam por tentar entender como funciona esse complexo ser chamado Mulher.

Na obra, a psique feminina é dissecada por meio da interpretação do arquétipo de: Hera, Deméter, Atena, Afrodite, Peséfone e Ártemis.

Atena> Rege tudo o que se relaciona com a civilização, os aspectos da vida urbana, das cidades e tudo o que pode se chamar de “civilizado”. A mulher Atena está sempre em evidência por ser extrovertida, prática e inteligente. A princípio, os homens ficam intimidados com ela, visto que não reage a galanteios medíocres e é capaz de colocar os homens em xeque em uma discussão intelectual. Mas quando conquistam seu respeito, ela pode se tornar uma companheira leal para o resto da vida.

Afrodite> Rege o amor e a eroticidade, ou seja, todos os aspectos da sexualidade, da vida íntima e das relações pessoais. Afrodite é a deusa da beleza e das artes visuais – pintura, escultura, arquitetura, poesia e música. Ela rege a inspiração artística e todo contato criativo entre os sexos. A mulher Afrodite é sobretudo sensual, feminina, vaidosa. Uma exibicionista por natureza – o que não é um aspecto negativo nem positivo, é simplesmente uma de suas características. Acima de tudo, Afrodite quer que os relacionamentos sejam amorosos, não importando se amigáveis, sociais, físicos ou espirituais. Ela quer que tenham coração.

Ártemis> É uma deusa essencialmente da natureza em sua forma virgem ou indomada. Nesse aspecto se contrapõe a Atena, que representa a natureza domada. Ártemis está próxima dos animais, da caça e dos ciclos da natureza que regem o mundo. Está voltada a atividades do corpo, práticas ao ar livre. Por reger a semente e o fruto, é às vezes chamada Senhora das Plantas, simbolizando sua profunda ligação com todos os aspectos da alimentação, do crescimento, dos ciclos das safras, e da colheita e preservação dos alimentos. Ártemis não se sente à vontade no mundo moderno. Na verdade, a mulher Ártemis brilha mesmo no campo, nos cenários de natureza, onde pode dar vazão à sua natureza livre. Enquanto Atena é uma mulher sofisticada, Ártemis prefere o jeans, a camiseta e o tênis.

Perséfone> Ela é a rainha dos mortos, a que transita com serenidade pelo mundo espiritual ou o domínio dos mortos. Consciente ou inconscientemente, não importa, ela está em contato com os poderes transpessoais superiores da psique. Nos termos da psicologia moderna, Perséfone rege a mente inconsciente mais profunda, o mundo onírico e tudo o que se relaciona com os fenômenos psíquicos ou paranormais e com o misticismo. A mulher Perséfone possui capacidade visionária e está profundamente envolvida com a mediunidade. Ela é um poço de intuição.

Hera> A mulher Hera sempre se destaca nos grupos. Ela é auto-confiante e parece ter nascido para mandar, independentemente de sua classe social. A mulher Hera floresce no companheirismo do matrimônio. A mulher Hera é conservadora, mãe que prima por manter a tradição familiar. Ela encarna perfeitamente a frase “Por trás de todo homem há sempre uma grande mulher”.

Deméter> É a mãe. A mulher Deméter está sempre rodeada de crianças, é a que nutre e alimenta famílias inteiras. Mas note-se que não é apenas o simples fato de cuidar de crianças sua principal característica, mas sim tratar de tudo que precisa ser cuidado, que é indefeso, carente. A mulher Deméter se sente feliz fazendo exatamente o que melhor sabe fazer: ser mãe.

Para saber mais sobre mitologia grega, visite:

Mitologia grega

Mitos Gregos

Faça o teste do arquétipo da Deusa predominante em você!