Holistika

Um espaço que trata da saúde da alma, da mente e do corpo

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Silêncio de ouro

amizade

É muito gostoso bater papo com os amigos, trocar ideias, comentar situações do cotidiano ou simplesmente jogar conversa fora. Existem amigos que, quando nos encontramos com eles, perdemos a noção do tempo e falar nunca é demais. Os assuntos rendem, a fofoca (sadia) nunca se esgota e as gargalhadas brotam espontâneas e a todo instante. 

Pois, muito bem. Sem querer desmerecer o valor da oralidade, abro um parêntese para a importância do silêncio. Trabalho num ambiente em que fico cercada por cinco aparelhos de televisão, dezenas de telefones, dezenas de celulares, dezenas de computadores e muita, muuuuita gente falando ao mesmo tempo. O silêncio me é caro.

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Adoro chegar em casa e ouvir o som do silêncio, o vento balançar mansamente as folhas nas árvores, os grilos cantarem suavemente, os gatos em sinfonia, a respiração da minha cadela sentada ao meu lado em busca de afago. Se for um fim de tarde, em dia de sábado, aproveito para olhar pela janela, através da qual tenho o privilégio de avistar um horizonte pintado de matizes que vão do amarelo ouro, passando pelo laranja, rosáceo até a decomposição em infinitas camadas de azuis.

Ah… o silêncio, o calar… nos faz ouvir melhor os nossos pensamentos, nossos desejos. nossas paixões e os diálogos que travamos com nossa consciência. O silêncio é a chave que abre a porta para o ‘recinto’ em que conseguimos ser sinceros por completo com nossa própria essência. E lá arriamos as armas, as defesas e as máscaras; desfazemos as rugas na testa e conversamos com a própria alma, cara a cara.

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Viver em grandes cidades não ajuda muito a quem aprecia degustar momentos de silêncio.  Confesso que sou resistente a pessoas que falam ininterruptamente. Não ouvem o que os outros dizem, não ouvem os sons da natureza, mas, principalmente, não se ouvem. Pena.

O silêncio já me trouxe muitos insights . Atualmente, tenho optado por falar menos e ouvir mais. Sinal de amadurecimento?! Talvez. Não importa, o importante é o bem-estar.

CONDUTA DE MISERICÓRDIA – Joana de Ângelis

Enviado por minha chefe, que é espírita. Um belo texto.

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Este cavalheiro insolente, agressivo, que parece dominador,
e que, tomando o caminho, investe contra os teus direitos,
encontra-se gravemente enfermo, não tendo dimensão do mal
que o consome.

Aquela dama, frívola e irreverente, que parece desejar
submeter o mundo aos pés, assinalada pelo excesso de jóias
e tecidos caros, tem o coração dilacerado por terríveis
frustrações, que não consegue superar.

Esse jovem rebelde, que desdenha as leis a assoma na tua senda
com o cinismo afivelado à face, padece conflitos íntimos que
o vergastam e aos quais não pode fugir.

Estoutro senhor, de cenho carrancudo a aspecto amargo, que não
logra dissimular a arrogância de que se vê objeto, tem medo de
ser conhecido pelas fraquezas morais que carrega interiormente.

Esta moça, quase despida, que exibe o corpo e a alma ao
comércio da luxúria, invejada por uns e por outros malsinada,
viva ralada pela carência de um amor verdadeiro que a
dulcifique e felicite.

O rapaz que expõe o corpo, para o jogo exaustivo dos prazeres
fáceis, símbolo e modelo de beleza, vive aturdido na timidez
que o neurotiza, obrigado a uma exteriorização que o aniquila
a pouco e pouco.

No festival dos sorrisos humanos, no banquete dos triunfos
sociais a na passarela da fama as criaturas não são o que
demonstram, mas, sim, um simulacro do que não conseguem
tornar-se.

É certo que há exceções, como não poderia deixar de ser, o
que mais afirma a regra geral.

A pobreza andrajosa, a polidez da face de bom comportamento,
a voz melíflua, suave, certamente não significam
personalidades humildes e resignadas, a um passo do triunfo
sobre as vicissitudes.

Muitas provêm de incontida revolta, de sentimentos
desesperados, de vidas em estiolamento pela mágoa e pela
rebeldia.

Por isto, não julgues ninguém pela aparência, ou melhor,
não te arvores a julgamento algum com desconhecimento da
causa reta.

Torna-te tolerante, embora sem conivir.

O problema de cada um, a cada qual pertence.

Sê um momento de esperança para quem te busque, ou uma
oportunidade de renovação para quem te perturbe ou desafie,
mantendo-te em paz contigo mesmo em qualquer situação.

Da mesma forma que o teu exterior não te reflete a realidade
interna, os passantes pelo teu caminho, igualmente, vivem
essa dicotomia de comportamento.

Jesus, que identificava a causa das aflições humanas e
penetrava o âmago dos corações, por isto mesmo não julgava,
não condenava, não desconsiderava ninguém.

Seguindo-Lhe o exemplo e exercendo misericórdia para com o
teu próximo, quando, por tua vez, necessites de apoio, não
te faltarão o socorro da compreensão e da amizade que alguém
te dispensará.

[Joanna de Ângelis]

Nem sorte, nem azar, apenas o inexorável

Eu costumo sempre dizer que não existe sorte. Nem azar. Pelo menos não para quem acredita na inexorabilidade do universo. Melhor dizendo: para quem acredita em Deus. Aliás, quando o assunto é a natureza divina, gosto de citar como exemplo a fala do filho pequeno de um amigo meu, que, quando perguntado se Deus é bom ou mau dizia: “Papai do Céu é justo”.

Pois é. Esse meu dileto amigo conseguiu fazer um menino de pouco mais de três anos entender que Deus está acima do bem e do mal. Baseado em ensinamentos que atestam que tudo está submetido às leis universais, podemos depreender que Deus é puramente justo, haja vista tudo que nos advém ser resultado de nossas próprias ações, pensamentos e palavras.

Uma situação de penar, sofrimento e dissabores subsequentes é não raro apontada como “azar”. Discordo, pois não entendo a existência humana como uma única experiência de vida. Tudo é o resultado de longa trajetória. Ao passo que ao vermos alguém afortunado, sempre vencedor e triunfante pelos embates da vida tendemos a dizer que se trata de alguém que tem “sorte”. E volto a discordar.

Nada escapa ao “Olho que tudo vê”. Podemos enganar muitos por muito tempo, alguns por algum tempo, poucos por pouco tempo e até mesmo podemos enganar a todos por todo o tempo, mas não podemos enganar a Deus!

Uma das pérolas que compõem minha humilde biblioteca particular se entitula O Caibalion – Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia. A obra foi publicada pela primeira vez em 1908, em inglês e foi escrita por três colaboradores, digamos, que se intitulavam Os Três Iniciados. Humildes, preferiram permanecer no anonimato.

Segundo seus autores, o livro contém a essência dos ensinamentos de Hermes Trimegisto (trimegisto =o que é três vezes ungido), tal como era ensinado nas escolas iniciáticas do Antigo Egito e da Grécia. Um verdadeiro oceano de sabedoria, em poucas páginas que devem ser saboreadas sem pressa.

Um dos princípios revelados no livro que mais me instigam é o da Causa e Efeito, que ratifica minha opinião sobre sorte e azar.

“Nesta obra nos nos esforçamos por vos oferecer uma ideia dos preceitos fundamentais do Caibalion, procurando dar os princípios acionantes e vos deixando o trabalho de os estudar, em vez de tratarmos detalhadamente dos seus ensinamentos. Se fordes verdadeiros estudantes, podereis compreender e aplicar estes princípios; se não o fordes, deveis vos desenvolver, porque de outra maneira os preceitos herméticos serão para vós somente palavras, palavras, palavras!!!…”O Caibalion

E Trimesgisto escreveu em uma TÁBUA DE ESMERALDA 

“É verdade, correto e sem falsidade, que o que está em baixo, é como o que está em cima, para realizar os milagres de uma coisa só.

Como todas as coisas derivam-se da Coisa Única, pela vontade Daquele que as criou, pelo poder de sua palavra, assim também tudo deve a sua existência a esta Unidade, pela ordem Natural criadora.

O Sol é o seu pai, a Lua é a sua mãe, o vento o transporta em seu ventre, a terra é a sua nutriz. Este ente é o pai de todas as coisas do Mundo. Seu poder é imenso e perfeito.

Separarás a terra do fogo, o sutil do denso, com muito cuidado e grande habilidade. Ela sobe da terra ao céu e de novo descerá à terra, deste modo recebe a força das coisas superiores e inferiores.

Por este meio terás a glória de todo o mundo quaisquer trevas afastar-se-ão de ti. É a força forte de toda a força, pois vencerá toda a coisa sutil e penetrará toda a coisa sólida. Assim foi criado o universo. E, Disto surgem maravilhosas realizações, cujo meio está aqui.

Por isso sou chamado Hermes Trismegisto, porque possuo poder sobre as três partes da sabedoria do mundo. O que eu disse da obra-mestra da Arte Alquímica, a Obra Solar, aqui está dito e encerrado. Tudo”.

A Tábua de Esmeraldas foi um dos textos que deu origem à alquimia e a boa parte do ocultismo, seja ele oriental ou ocidental. Também conhecida como Tábua Esmeralda, ou O Segredo de Hermes, trata-se de um texto antíquissimo que se propões a revelar a natureza do universo e suas transformações. Seu texto é sucinto e alegórico e é considerado por muitos a pedra angular da alquimia europeia e de toda tradição hermética posterior.

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Quem quiser folhear O Caibalion e conhecer um pouco mais sobre esses ensinamentos milenares pode acessar:

1. O Caibalion (em links)

2. O Caibalion (texto corrido)

Convivência Xamânica

Um final de semana de práticas xamânicas

Procedimentos e alimentação naturais, bastão do poder, danças, ritual de fogo, sauna sagrada, banho de ervas

De 02 a 04 de abril

Focalizadoras: Nishavda e Clori

Espaço Oásis de Luz, em Buraquinho, Lauro de Freitas, BA

Informações: (71) 3369-2220//3379-3810//8867-3210//9241-3597

Os escândalos sexuais da Igreja Católica

(G1 – 17/03/2010) Chefe da Igreja da Irlanda pede perdão por ocultar casos de abuso sexual no clero – O cardeal primaz da Irlanda, que está no centro de uma polêmica por ter ocultado abusos sexuais cometidos contra menores pelo clero, pediu perdão nesta quarta-feira e se declarou “envergonhado” por não ter defendido os valores que prega.

(O GLOBO – 4/03/2010) Ligação com rede de prostituição é o mais novo escândalo a envolver o Vaticano – Um dos ajudantes do Papa Bento XVI e um membro do coro de elite da Basílica de São Pedro tiveram seus nomes ligados a uma rede de prostituição gay, no mais recente escândalo a envolver o Vaticano. O nigeriano Ghinedu Ehiem foi expulso, na quarta-feira, do coro da Capela Giulia, logo após seu nome aparecer em transcrições de gravações policiais sobre corrupção para construir obras públicas, publicadas por um jornal italiano. Já o engenheiro italiano Angelo Balducci foi afastado do grupo de elite “Cavaleiros de Sua Santidade”, que são chamados para trabalhar no Palácio Apostólico do Vaticano em ocasiões especiais, como visitas de chefes de Estado. Balducci, que é também membro da diretoria do departamento de obras públicas da Itália e consultor de construções do Vaticano, está detido desde o dia 10, acusado de corrupção, num esquema que envolveria troca de favores sexuais por licitações das obras do complexo La Maddalena – localizado na região italiana da Sardenha, que abrigaria a Cúpula do G8 em junho do ano passado.

(Estadão – 17/03/2010) Acusados de pedofilia são afastados da Igreja em Alagoas – O bispo de Penedo (AL), Dom Valério Breda, confirmou ontem o afastamento dos monsenhores Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, e Raimundo Gomes, de 52, além do padre Edílson Duarte, de 43, das atividades nas paróquias de Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas, após denúncias de abuso sexual feitas por antigos coroinhas. Os religiosos também respondem a um processo criminal, aberto pela Polícia Civil de Alagoas, a pedido do Ministério Público Estadual. O caso teve repercussão internacional e foi reconhecido pelo Vaticano.

(G1 – 13/03/2010) Pedofilia: 3.000 acusações apresentadas ao Vaticano na década – Um total de 3.000 acusações de pedofilia contra padres foram examinadas pela justiça do Vaticano de 2001 a 2010, por fatos cometidos nos últimos 50 anos. “De 2001 a 2010 recebemos aproximadamente 3.000 acusações envolvendo padres diocesanos ou religiosos por crimes cometidos nos últimos 50 anos”, declarou o monsenhor Charles J. Scicluna, do Ministério Público do tribunal da Congregação da Fé, em uma entrevista concedida ao Avvenire, o jornal da Conferência Episcopal Italiana. “Em mais ou menos 60% dos casos são atos de ‘efebofilia’, ou seja, atração física por adolescentes do mesmo sexo. Em 30% relações heterossexuais e os 10% restantes de verdadeira pedofilia, ou seja, de atração sexual por jovens impúberes”, afirmou o religioso, para estabelecer uma diferença entre os casos.

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Já chega. Já chega de catar na internet divulgação de pedofilia. Fiquei com nojo. Já chega de tantos crimes sexuais envolvendo o nome da Igreja Católica. O que dizer diante de tamanha barbaridade? Doentes mentais? Doentes espirituais? Deformados religiosos?

Alguns diriam que não se pode condenar a instituição pelos atos de alguns de seus integrantes. Discordo. É nesta instituição que nascem as regras, normas, tabus, dogmas e preconceitos que distorcem a mente e o caráter dessas pessoas que enlouqueceram por desenvolveram uma compreensão equivocada do sexo.

Quais são, de fato, as justificativas para o celibato? Será que os homens que se dedicam ao serviço de Deus estão de fato preparados para abraçar o celibato ou estariam ainda sendo roídos pelo verme dos apetites mais vis e carnais? Não seria mais inteligente abolir a abstinência sexual para os religiosos, a fim de tentar evitar que tal proibição precipite os sacerdotes da Santa Sé no abismo da demência sexual?

Encarar o sexo como algo sujo, pecaminoso e proibido é o fio que conduz essas pessoas à queda na degradação. Se vissem o sexo como o presente dado por Deus para que a vida se perpetuasse no universo, através, sim, do amor, não haveria esses casos escabrosos. Sexo não é pecado. Sexo é o que há de mais divino. Pecado é o que foi feito do sexo através dos tempos, não só dentro mas também fora da Igreja, num mundo onde a sociedade é bombardeada a todo instante por apelos eróticos, nos filmes, novelas, livros, moda, publicidade, música, enfim, em tudo. Vivemos a Era da Erotização.

Como acreditar em uma Igreja que possui tradição em praticar tantos atos bestiais? São muitos os relatos denunciados. E os que não foram denunciados? E os que se calaram por vergonha ou medo? Como pregar fraternidade e a paz do Cristo, abusando sexualmente de crianças e adolescentes que estão sendo traumatizados para o resto de suas vidas? Meu Deus! Que mundo cão é esse que está escondido por detrás dos muros católicos?

O que Cristo diria se descesse à Terra e visse a Igreja Católica nadando na lama da luxúria?

Como se não bastasse a vergonha da Inquisição, a Igreja Católica insiste em brilhar, cada vez mais, no noticiário das aberrações de escândalos sexuais. É nojento.

 

 

Entrevista: Iniciação de bruxos na Casa Telucama

Senhora Telucama, no Templo de Deméter

Depois da noite de tempestade, cheia de raios, relâmpagos e trovões que quase desmanchou Salvador no último domingo, o dia amanheceu ensolarado e com uma brisa suave na segunda-feira.

Eu havia marcado às 10 horas da manhã para chegar à casa de minha amiga Gracinha para entrevistá-la. Ou melhor, Graça Azevedo, Senhora Telucama, Suma-Sacerdotisa do templo de bruxaria tradicional celta, localizado em Ipitanda, Lauro de Freitas.

Ela me recebeu com o costumeiro sorriso sereno nos lábios e me pediu para esperar, enquanto acabava de realizar um atendimento na sala de banhos.

Sentei em uma das varandas do templo e logo tratei de viajar no som das ondas quebrando na praia, no canto dos passarinhos, alegres naquela manhã tão fresquinha e cheia de raios de sol. No lago, um sapo gritava, um fofo. Adoro sapos. Do meu lado, encontrei um cara muito legal, deitadinho em um banco. Um gato preto, lindo!!! Perguntei a um dos funcionários da casa qual era seu nome. “Mabon”, ele disse. Uau! Tínhamos algo em comum. Afinal, Mabon é o nome de um dos sabás que compõem a Roda do Ano das bruxas e eu conheci Gracinha em um chat usando o nickname Beltane, que também é o nome de um sabá. Alías, até hoje ela e as bruxas da casa só me chamam de Beltane ou, mais carinhosamente, Bel. Adoro! É meu nome de bruxa, digamos.

Mabon, o gato

 Brinquei com Mabon, que, gaiato, logo tratou de se esfregar nas minhas pernas e pulou no meu colo. Mas depois sucumbiu ao cantarolar das ondas e adormeceu, fechando seus lindos olhos verdes, cor de umbu novo.

De volta de seus afazeres, Gracinha sentou-se diante de mim, com um lindo vestido púrpura, e tinha o símbolo da lua crescente pintado na testa. Para meu deleite, ela exalava uma deliciosa essência de óleo de olíbano! Uma maravilha!

Um pingue-pongue sobre iniciação na bruxaria era o motivo do nosso encontro. Ao que minha amiga respondeu com sabedoria.

1. Holistika: Como acontece o processo de iniciação na bruxaria tradicional?

Senhora Telucama: Através de um colegiado. Nós obedecemos a critérios de passagem dos mistérios aos iniciados e por isso existe uma necessidade de graduação. Nossos ancestrais deram a vida para preservar nossa cultura e nós temos como critérios fundamentais para o ingresso do postulante o equilíbrio, a sensatez, o perfeito amor e a perfeita confiança. Nós avaliamos as pessoas que aqui chegam através de entrevistas e analisamos quais os reais motivos que as trazem aqui. Se vêm pelo modismo, curiosidade ou outra razão. Atualmente, é muito comum recebermos pessoas indicadas por quem já frequenta a casa, seus parentes e amigos. Uma vez feita a inscrição, a pessoa é aceita e passa a frequentar a Tenda do Cordão Branco, que é o grau de postulação. Em um ano, os postulantes vão estudar sobre toda a história oral da trajetória do homem no planeta Terra, desde o período paleolítico. Eles vivenciam dinâmicas de grupo, como processo de autoconhecimento sobre a visão da terapia holística. Paralelo a isso, passam a cumprir e vivenciar a Roda do Ano (lunar), que é composta pelas entradas e saídas das estações do ano, quando os sabás são celebrados. São necessários 7 anos até se chegar ao último grau (para sacerdotisa ou sacerdote). Com um ano e um dia, o postulante presta juramento por livre e espontânea vontade aos deuses, observando-se sempre o livre-arbítrio.

2. H: A bruxaria é uma religião milenar, que remonta a cerca de 10 mil anos. O que mais mudou desde os primórdios e o que se mantém inalterado?

ST: Nós não usamos mais o termo “religião” (que significa “religar”) porque temos a consciência de que nunca nos desligamos da divindade. Em todas as encarnações, buscamos uma adaptação metodológica do sistema histórico em que estamos envolvidos. Por exemplo, hoje as bruxas organizam o colegiado de forma didática de forma a suprir as necessidades sociais e culturais. Antigamente, as bruxas moravam nas escolas, hoje as aulas acontecem uma vez por semana. Utilizamos a internet para nossa comunicação, mas fazemos questão de manter a passagem do conhecimento em 70% através da tradição oral. Isso não muda, a oralidade é a nossa força. O postulante começa a aprender o sigilo desde o primeiro ano, mas os mistérios começam a ser passados a partir do terceiro ano. Isso cria os vínculos de amor e confiança, tornando-nos uma verdadeira família.

“Se não há prática,

as brumas se encarregam

de apagar o conhecimento”

3. H: O que faz as pessoas optarem, nos dias atuais, pelo ingresso na Antiga Religião?

ST: Felizmente, hoje observamos pessoas mais maduras, homens e mulheres numa faixa etária que vai dos 18 aos 80 anos. Eles buscam a paz interior e, como a bruxaria estabelece uma conexão com a divindade através da natureza, isso proporciona uma sensação de paz e alegria. É uma filosofia sedutora e complexa. As pessoas estão buscando viver com mais simplicidade, estão buscando o retorno às coisas simples da vida, sem a artificialidade do mundo industrializado. Aqui tudo é natural, nossos alimentos, o herbarismo, enfim, lidamos todo o tempo com elementos da natureza.

4. H: De que é feito um grande bruxo (ou bruxa)?

ST: Em primeiro lugar, lucidez para discernir o que é certo e o que é errado. Em segundo, deve ter disponibilidade para o aprendizado. Em terceiro, deve ter comprometimento consigo mesmo e com a natureza.

5. H: O que é inaceitável em um bruxo?

ST: A deslealdade. Não tanto a infidelidade, porque essa é circunstancial, mas a deslealdade é uma questão de caráter e contra isso não há bruxaria. É uma questão muito séria, pois o processo iniciático envolve juramentos.

6. H: O que acontece quando um bruxo que atingiu os últimos graus abandona o caminho?

ST: É uma questão de livre-arbítrio. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e isso é uma questão pessoal. A partir do momento que ele ou ela se desconecta, os mistérios aos poucos vão se diluindo. Se não há prática, as brumas se encarregam de apagar o conhecimento.

7. H: Fale a respeito de uma prova decisiva para um bruxo que está trilhando a iniciação.

ST: Quando o postulante está prestes a passar para o cordão verde, avaliamos seu comportamento e sua dedicação.

8. H: Eu já tive a oportunidade de ver uma bruxa comandar o fogo e abrir uma clareira num céu de nuvens em noite de sabá, para neutralizar por algumas horas o fenômeno da chuva, a fim de que a festa transcorresse com a fogueira acesa e todo o ritual se consumasse. Essa e outras formas de expressão de comando e controle das forças da natureza fazem parte do dia-a-dia de um bruxo. De posse de tantas “habilidades”, seria a vaidade um mal a ser exorcizado pelos bruxos? Como isso se desenvolve?

ST: Quando um bruxo chega ao patamar do uso contínuo de suas habilidades, sobretudo as relativas a fenômenos físicos, ele é observado na sua humildade e na sua lucidez. Caso se verifique que cometeu algum deslize, seus graus são confiscados e ele terá de repetir por um ano tudo que vivenciou naquela etapa. E isso tudo lhe é explicado e justificado. Isso é muito comum acontecer. Há, inclusive, o caso de uma filha que teve de esperar por 6 anos para mudar de grau por vaidade e mau uso do conhecimento.

9.H: A Antiga Religião foi totalmente edificada em sintonia com as forças da natureza. As principais celebrações acontecem nos equinócios e nos soltícios; os animais têm papel fundamental e de destaque, bem como toda a flora. Como a bruxaria encara o atual momento de violenta agressão a que o homem está submetendo o planeta? Isso está afetando a religião?

A Roda do Ano

ST: A religião está sofrendo e nós buscamos amenizar esse desequilíbrio, como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta carregando um pouco de água no bico, em viagens intermináveis de idas e vindas. Louvamos a terra, celebramos os elementos. Essa é a nossa parte. Mas, infelizmente, todas as civilizações, de uma forma ou de outra, mexeram com a natureza, que sempre se rebela.

10.H: Por que ser um bruxo?

ST: Bruxaria é sabedoria é a busca da essência do ser que vive em perfeita harmonia com a vida.

11. H: Qual é o “coração” da Casa Telucama? Energeticamente, onde está localizado o ponto central?

ST: Há vários “corações” na casa e nós respeitamos a energia de cada ponto. Cada deusa da tríplice aliança que rege a casa é um desses pontos. Temos no templo de Deméter a energia da mãe. No de Hécate, vigora a energia da sábia anciã e no de Ártemis reina a jovem buscadora. São esses os três pilares fundamentais, mas há ainda a grande acolhedora, Gaia.

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Saiba mais sobre:

Casa Telucama

A Roda do Ano e os Sabás 

Atendimentos de Cura:

1. Oráculos: tarô, runas, água, cristal

2. Terapias: banhos, Reiki, Alinhamento de chacras

Tel.: (71) 3378-1758 e 3287-0622

senhoratelucama@terra.com.br

Semana da Mulher (3) – Dois tipos de homem

Ressalto aqui que as generalizações são sempre injustas, porque as exceções existem. Nada mais apropriado do que falar de homens, na Semana da Mulher. Existe um mito de que “as mulher adoram falar mal dos homens quando se juntam e vice-versa”. Correção: algumas mulheres gostam de falar mal de alguns tipos de homens e vice-versa.

As mulheres sábias preferem falar do que há de melhor nos melhores homens. E vice-versa.

A escola da vida me fez chegar à conclusão de que existem dois tipos de homem. Eu vejo assim mesmo, dessa forma simples. Há os homens que gostam de mulher e há os homens que não gostam de mulher. Ou melhor, os que pensam que sabem gostar de mulher. Mas não sabem.

Vou começar falando dos que gostam, pois são mais agradáveis de ser citados e descritos.

Na minha opinião, os homens que gostam de mulher:

– jamais falam de maneira depreciativa de uma mulher;

– são sensíveis (e inteligentes) o suficiente para diferenciar “brincadeira saudável” de “desrespeito”;

– tratam com carinho, respeito e amor as mulheres de sua vida: mãe, irmãs, primas, tias, avós, filhas, namorada, noiva, esposa;

– não têm amantes, pois respeitam tanto a inteligência da esposa quanto a da possível amante;

– jamais repartem intimidades vividas com mulheres;

– são românticos, bem-humorados, gentis, cavalheiros, companheiros;

– se preocupam com o bem-estar, saúde e prazer feminino;

– não traem (porque amam e não por imposição), pois ninguém é obrigado a ficar com alguém com quem não se queira conviver;

– acham óbvio que ficar com quem não se ama é prisão, burrice, e atrapalha a felicidade de ambos;

– não agridem fisica ou moralmente uma mulher;

– respeitam a inteligência feminina e não mentem;

– fazem amor quando sentem vontade na alma;

– entendem por que é importante mandar flores;

– entendem por que é importante se dizer que se ama, apenas quando se ama;

– se dedicam a tentar entender o universo feminino em busca de uma aproximação maior de alma;

– elogiam quando a mulher se faz bonita;

– não esquecem de que toda mulher é um ser intuitivo, umas mais, outras menos e outras muito.

 Acho que eu poderia passar a noite aqui, listando tudo de bom que há nos homens que gostam, de verdade, de mulher. Na minha opinião, esses são alguns itens que denotam que um homem gosta de mulher. E há visão melhor do que a visão feminina quando o assunto é “homem que gosta de mulher”?

Por outro lado, o homem que “acha” que gosta de mulher, mas não gosta:

– vai dizer que admira o corpo feminino, mas lembre-se colega, mulher é mais que um buraco que funciona como depósito de fluidos masculinos;

– quando é apresentado a uma mulher bonita pensa logo: “como será que ela transa?”

– reparte com o time de futebol como “comeu” aquela mina no último sábado;

– olha para as mulheres como se elas fossem um equipamento de prazer e afazeres domésticos, é claro;

– é machista? Não, a palavra é EGOÍSTA;

– reproduzem máximas como: “homem tem que comer mulher a todo instante, senão ela vai me trair e vai achar que eu sou brocha”, “se me der mole, eu como mesmo”, “quanto mais mulher, melhor”… e outras pérolas do gênero; 

– bate em mulher e acredita, realmente, que tem esse direito e que ela lhe deu motivos para tal;

– alguns matam, por muitas razões, porque se acham PROPRIETÁRIOS da mulher, ora.

E vou parar por aqui, senão em vez de exaltar o sexo masculino em harmonia com o feminino vou evocar a revolta e o objetivo deste post é falar bem dos homens que gostam de mulheres (de verdade) e das mulheres que gostam de homens (de verdade). Chega de cafas e vagabas.

Não é sonho, nem utopia. Os homens de verdade existem. Não vou quantificar, nem levantar percentuais, mas sei que eles existem. E, na verdade, acredito que tudo é uma questão de encaixe e reciprocidade.

Em vez de apredejar os homens (pobres de espírito) que pensam que gostam de mulher, aproveito a oportunidade para dedicar este post aos homens (benditos sejam) que conseguem enxergar o valor de uma mulher de verdade, na sua companheira, namorada, mãe de seus filhos, enfim, a sua mulher.

Palmas aos homens que gostam de mulheres. O nosso muito obrigado e que nós tenhamos sempre o faro e o merecemento de reconhecê-los e atraí-los para nossas vidas.