Holistika

Um espaço que trata da saúde da alma, da mente e do corpo

Arquivo para maio, 2010

O oráculo nosso de cada hora

Quando eu tinha 24 anos ganhei meu primeiro tarô, de Marselha. Fiquei excitada com a ideia de poder estudar o significado das cartas, de poder mergulhar no conteúdo dos arquétipos e desde então a cada dia tem sido uma descoberta maravilhosa conhecer mais uma face desse fascinante diamante.

Vieram outros tarôs, uns comprados por mim mesma, outros me foram presenteados. E sempre é a mesma satisfação. Mergulhei também na numerologia, como forma de tecer analogia com o valor numérico dos arcanos e, assim, poder tirar as minhas conclusões quando me vejo diante de um determinado “número” que se destaca à minha frente.

Diante disso, descobri que não precisa ter um baralho imponente e colorido à minha frente para interpretar o que aquele arcano quer me dizer. Não tem o baralho? Tudo bem, posso chegar ao arcano através dos números. Os arcanos estão por toda parte. Nas placas dos automóveis, nas fachadas dos prédios, nas portas das residências, nos números de identidade, CPF, números de inscrição, dia do mês, etc., etc. e tal.

Recebi uma senha para esperar atendimento e o número é, por exemplo, 85? O recado é A Morte – Arcano XIII. Vamos viajar nas transformações, nas mudanças, nos cortes, nas mortes e nos nascimentos.

Quando isso se torna um exercício de observação, a gente chega à conclusão que não adianta fugir do arcano. Se ele está nos sinalizando, a melhor atitude a se tomar é deixá-lo falar, falar e falar através de nós. Ultimamente, tenho aberto meu coração para todos os arcanos temidos. Tenho procurado enxergar seu lado mais belo, lírico, fascinante.

Aliás, é tolice achar que alguns arcanos são “bons’ e outros são “malditos”. Isso é besteira. Se há necessidade de consultar o oráculo para uma questão que não quer calar, tiremos o tarô. Se não há um baralho à mão, a gente cria. Como eu me atenho sempre aos arcanos maiores, recorto 22 pedacinhos de papel e faço jogadas pequenas e objetivas. Funciona do mesmo jeito. Afinal, eu sei que o número 2 é sempre A Papisa, o 10 é a Roda da Fortuna e o 17 é A Estrela.

Se não houver papel, busco alguma maneira de obter um número de 1 a 22.

Há quem leia borra de café, copo de água, estrelas, espelhos, fogo, palitinhos de fósforo, runas, mãos, enfim, o instrumento é o que menos importa. O que vale é o canal mágico que conseguimos estabelecer com a intuição e o Eterno para obtermos nossas respostas.

Não acho que todas as pessoas têm que concordar comigo, mas espero que respeitem minha liberdade de interpretar o que o universo me sinaliza. Fico pensando como seria minha vida se não tivesse tido acesso a esses instrumentos de autoconhecimento. Certamente teria errado mais, estaria alguns degraus aquém do caminho que já trilhei.

Gratidão eterna aos oráculos que a cada dia me ensinam a desatar os nós cegos.

A lição dos castores

Ao navegar pela internet hoje, me deparei com uma notícia curiosa, que me tocou. No Canadá, castores construíram a maior barragem natural do mundo.

“Uma barragem construída por castores, a maior do mundo natural, foi descoberta numa região isolada e selvagem do norte do Canadá por um ecologista que utilizou fotos por satélite do site Google Earth.

Situada no Parque nacional Wood Buffalo, no norte da província de Alberta, a barragem mede 850 m de comprimento, muito maior que a média considerada para um trabalho deste tipo, que não passa, geralmente, de 100 metros no Canadá; apenas um desses diques em 1.000 possui mais de 500 metros de comprimento.

A construção desta obra-prima da natureza teria começado nos anos 1970, acredita Jean Thie, que a descobriu quando tentava medir, com a ajuda de fotos por satélite, o derretimento do permafrost (a camada constituída por terra, gelo e rochas permanentemente congeladas) no norte do Canadá.

A barragem fica no Parque Nacional de Wood Buffalo

“Várias gerações de castores trabalharam na construção, que continua a aumentar”, declarou Thie à AFP nesta quarta-feira. O dique já era visível em fotos da Nasa do início dos anos 1990, acrescentou.” (Veja texto na íntegra)

Mais do que questionar por que a humanidade não se une para construir obras grandiosas que beneficiem a coletividade, me pergunto, por que muitas vezes temos dificuldade em perseverar em busca da realização de nossos próprios sonhos?

Ao ver um exemplo tão belo assim da natureza me sinto, confesso, envergonhada, por pertencer à raça humana, que não apenas destroi ferozmente o meio ambiente, em vez de preservá-lo, mas que também tem dificuldade de identificar o caminho certo para o futuro da humanidade.

Mente sana em corpo são. Todo mundo já ouviu o célebre provérbio do poeta latino Juvenal, mas pare que para nós, reles humanos, é difícil manter o equilíbrio entre mente e corpo, espírito e matéria. Por que não preservamos nossos lagos, nossos rios, nossas florestas? Por que não salvamos nossas baleias, em vez de aprisioná-las em piscinas de Miami, que tal deixar as bichinhas nadarem soltas pelos oceanos?

E nem precisa ir muito longe, nem idealizar mega-realizações da humanidade. Que tal cuidarmos da nossa saúde, física, mental e espiritual?

Preciso tomar o comprometimento desses castores como exemplo para minha vida e transformar meu sonho em realidade. E nem levaria gerações, tenho certeza.

Deus fala todo o tempo conosco. Os castores são a voz de Deus em ação. Felizes dos que têm ouvidos para ouvir e olhos para enxergar suas mensagens.

O Xis da Questão – A Roda da Fortuna

A Roda da Fortuna - Tarô Mitológico

Eu estava convicta de que iria escrever um post sobre solidão e a experiência de se estar só. No meio do caminho mudei de ideia e decidi escrever sobre um arcano. Pois muito bem, aqui vai.

O sorteado da vez é A Roda da Fortuna. Sorte a minha.

Sempre achei tão lindo o nome que dá título a essa lâmina! Mas, ao mesmo tempo, sempre achei complicado entendê-lo de imediato. Aliás, pretensão tola imaginar que se pode compreender um arcano em sua totalidade. Eu estudo tarô há mais de 20 anos e até hoje me surpreendo identificando aspectos que nunca havia percebido sobre esta ou aquela carta. E é isso que é fantástico no Tarô! Sua dinâmica! O Tarô é uma metamorfose ambulante (eu sei que já dissseram essa frase… tudo bem… mas é assim que eu vejo esse mágico conjunto de cartas).

O Décimo Arcano simboliza o destino, as mudanças a que estamos sujeitos, as alternâncias da vida. Demorei para entender isso com um tom menos piegas e de maneira mais vivenciada.

Um exemplo? Ok. Há muitos anos, uma colega jogou para mim e eu fui a primeira pessoa para quem ela abriu seu Tarô após tê-lo consagrado. As cartas estavam tinindo! E estavam mesmo. A única coisa de que me lembro daquele jogo foi que saiu uma Roda da Fortuna que a fez respirar fundo. Ela arregalou os olhos e me disse: “Você está prestes a passar por uma mudança muito radical em sua vida. Algo que você nem dimensiona”. Eu fiquei meio assustada, acreditei, mas realmente não tinha a menor ideia do que iria me acontecer. Em aproximadamente um mês eu mudei não apenas de casa, mas de Estado, definitivamente. Foi bárbaro. É isso, a Roda da Fortuna nos põe frente à frente com situações muito fortes, implacáveis e na maioria das vezes que nos fogem ao controle. Se essa mudança foi boa? Teve de tudo, assim é a vida.

O ideal é que tenhamos controle sobre nossas próprias emoções para suportarmos o sobe e desce dessa esfera cujo eixo central é perene, eterno, imutável e inexorável. É Ele… aquele que a tudo e a todos comanda, governa, rege e domina. Estamos atreladas ao Eterno, que nos conduz sabiamente por uma viagem, ora divertida, ora áspera.

Tirar o Arcano X hoje não me assusta mais, porque não tenho (e acho que nunca tive, de fato) mais medo das mudanças radicais. Elas às vezes nos conduzem a paragens muito felizes e o grande salto só depende de nosso esforço. O que não dá é para passar a vida inteira dando voltas no mesmo ponto, sem conseguir chegar a lugar nenhum.

Eu fico muito triste quando percebo que estou reincidindo no mesmo erro e para mim é uma grande felicidade perceber que quebrei um padrão, consegui discrever a curva uma oitava acima. Essa é a Roda da Fortuna que eu quero na minha vida! A Roda da Fortuna do sucesso, da ascenção, da “sacada”, da quebra de padrões equivocados. Eu precisava escrever este post para entender que realmente eu acabo de quebrar um padrão que há muitos anos – talvez vidas – me acompanhava. Mas isso é papo para um outro post, um outro arcano. Agradeço a Deus por ter tido acesso a esse canal de conexão divina chamado Tarô, que a cada dia tem me dado mais e mais.

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Para viajar em dezenas de baralhos de Tarô, acesse Taroteca