Holistika

Um espaço que trata da saúde da alma, da mente e do corpo

Arquivo para março, 2010

Sem medo n’A Casa de Deus

A Casa de Deus – Tarô de Marselha

Certa vez, após passar por um período longo de crise, em que tudo parecia haver desmoronado na minha vida, uma amiga destampou a seguinte frase: “Deus destrói para depois recriar”. Na hora eu não gostei, mas com o tempo foi inevitável dar a mão à palmatória.

No Arcano XVI, uma cena aterradora causa espanto. Uma torre é atingida por um raio e duas pessoas são lançadas ao solo. Perda, decepção, frustração. É um literal “quebrar a cara”. É isso. Mas… como tudo na vida tem um lado bom, a carta me remete também a um momento em que as máscaras caem e nos vemos obrigados a flexibilizar nossas próprias posturas rígidas, preconceituosas e imaturas. Quem nunca cresceu após quebrar a cara? Quem nunca aprendeu ao deixar para trás opiniões e hábitos equivocados?

Confesso que tinha muito medo desta carta e até hoje respiro fundo quando me deparo com ela. Mas em seguida conto até três e procuro o aprendizado que, certamente, vem a reboque. O problema é descobrir por que a tirei hoje?!

Dizem que pé de galinha não mata pinto e no baralho de Marselha esta lâmina mostra a torre sendo atingida não por um raio, exatamente, mas, sim, por uma pluma. Ou seja, o “castigo” divino é muito mais acalentador do que destruidor ou punitivo. Deus é pai e esta é a Casa de Deus.

Lembro que certa vez assisti à palestra de um amigo em um curso de ocultismo. Ele, que nunca havia estudado os arcanos, pesquisou, se debruçou sobre o assunto e fez uma das mais belas explanações sobre o tema. Querido amigo, obrigada por me mostrar a bela face d’A Torre.

Um raio pode matar aquele que por ele é atingido, mas também pode levá-lo à iluminação. O que determina as consequências do abalo é o teor dos sentimentos e pensamentos do rei caído.

E, por falar em Deus, quem disse que eu quero ficar presa num quartinho apertado, com uma janelinha que limita minha visão do horizonte? Quem disse que eu não quero me lançar na vida? Tudo bem, seria melhor usar uma asa delta, um pára-quedas. Mas, quando a gente tem que dar o salto e não consegue se lançar sozinho, o Eterno dá um “empurrãozinho”.

Essa carta também me faz lembrar que, nos momentos em que estamos mais desolados, descobrimos quem são nossos amigos de verdade. Quando não temos nada a proporcionar ao próximo, a gente descobre quem de fato torce por nossa felicidade e não pensa duas vezes em nos estender a mão. Após ter caído de uma torre imponente eu aprendi a identificar quem são meus amigos. Talvez se estivesse encastelada no meu mundinho eu jamais tivesse aprendido o verdadeiro valor da amizade. Deus destruiu a torre, mas me enviou amigos para suavizarem a minha queda.

Acho que eu venci uma etapa. Não tenho mais medo d’ A Torre.

Convivência Xamânica

Um final de semana de práticas xamânicas

Procedimentos e alimentação naturais, bastão do poder, danças, ritual de fogo, sauna sagrada, banho de ervas

De 02 a 04 de abril

Focalizadoras: Nishavda e Clori

Espaço Oásis de Luz, em Buraquinho, Lauro de Freitas, BA

Informações: (71) 3369-2220//3379-3810//8867-3210//9241-3597

Os escândalos sexuais da Igreja Católica

(G1 – 17/03/2010) Chefe da Igreja da Irlanda pede perdão por ocultar casos de abuso sexual no clero – O cardeal primaz da Irlanda, que está no centro de uma polêmica por ter ocultado abusos sexuais cometidos contra menores pelo clero, pediu perdão nesta quarta-feira e se declarou “envergonhado” por não ter defendido os valores que prega.

(O GLOBO – 4/03/2010) Ligação com rede de prostituição é o mais novo escândalo a envolver o Vaticano – Um dos ajudantes do Papa Bento XVI e um membro do coro de elite da Basílica de São Pedro tiveram seus nomes ligados a uma rede de prostituição gay, no mais recente escândalo a envolver o Vaticano. O nigeriano Ghinedu Ehiem foi expulso, na quarta-feira, do coro da Capela Giulia, logo após seu nome aparecer em transcrições de gravações policiais sobre corrupção para construir obras públicas, publicadas por um jornal italiano. Já o engenheiro italiano Angelo Balducci foi afastado do grupo de elite “Cavaleiros de Sua Santidade”, que são chamados para trabalhar no Palácio Apostólico do Vaticano em ocasiões especiais, como visitas de chefes de Estado. Balducci, que é também membro da diretoria do departamento de obras públicas da Itália e consultor de construções do Vaticano, está detido desde o dia 10, acusado de corrupção, num esquema que envolveria troca de favores sexuais por licitações das obras do complexo La Maddalena – localizado na região italiana da Sardenha, que abrigaria a Cúpula do G8 em junho do ano passado.

(Estadão – 17/03/2010) Acusados de pedofilia são afastados da Igreja em Alagoas – O bispo de Penedo (AL), Dom Valério Breda, confirmou ontem o afastamento dos monsenhores Luiz Marques Barbosa, de 82 anos, e Raimundo Gomes, de 52, além do padre Edílson Duarte, de 43, das atividades nas paróquias de Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas, após denúncias de abuso sexual feitas por antigos coroinhas. Os religiosos também respondem a um processo criminal, aberto pela Polícia Civil de Alagoas, a pedido do Ministério Público Estadual. O caso teve repercussão internacional e foi reconhecido pelo Vaticano.

(G1 – 13/03/2010) Pedofilia: 3.000 acusações apresentadas ao Vaticano na década – Um total de 3.000 acusações de pedofilia contra padres foram examinadas pela justiça do Vaticano de 2001 a 2010, por fatos cometidos nos últimos 50 anos. “De 2001 a 2010 recebemos aproximadamente 3.000 acusações envolvendo padres diocesanos ou religiosos por crimes cometidos nos últimos 50 anos”, declarou o monsenhor Charles J. Scicluna, do Ministério Público do tribunal da Congregação da Fé, em uma entrevista concedida ao Avvenire, o jornal da Conferência Episcopal Italiana. “Em mais ou menos 60% dos casos são atos de ‘efebofilia’, ou seja, atração física por adolescentes do mesmo sexo. Em 30% relações heterossexuais e os 10% restantes de verdadeira pedofilia, ou seja, de atração sexual por jovens impúberes”, afirmou o religioso, para estabelecer uma diferença entre os casos.

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Já chega. Já chega de catar na internet divulgação de pedofilia. Fiquei com nojo. Já chega de tantos crimes sexuais envolvendo o nome da Igreja Católica. O que dizer diante de tamanha barbaridade? Doentes mentais? Doentes espirituais? Deformados religiosos?

Alguns diriam que não se pode condenar a instituição pelos atos de alguns de seus integrantes. Discordo. É nesta instituição que nascem as regras, normas, tabus, dogmas e preconceitos que distorcem a mente e o caráter dessas pessoas que enlouqueceram por desenvolveram uma compreensão equivocada do sexo.

Quais são, de fato, as justificativas para o celibato? Será que os homens que se dedicam ao serviço de Deus estão de fato preparados para abraçar o celibato ou estariam ainda sendo roídos pelo verme dos apetites mais vis e carnais? Não seria mais inteligente abolir a abstinência sexual para os religiosos, a fim de tentar evitar que tal proibição precipite os sacerdotes da Santa Sé no abismo da demência sexual?

Encarar o sexo como algo sujo, pecaminoso e proibido é o fio que conduz essas pessoas à queda na degradação. Se vissem o sexo como o presente dado por Deus para que a vida se perpetuasse no universo, através, sim, do amor, não haveria esses casos escabrosos. Sexo não é pecado. Sexo é o que há de mais divino. Pecado é o que foi feito do sexo através dos tempos, não só dentro mas também fora da Igreja, num mundo onde a sociedade é bombardeada a todo instante por apelos eróticos, nos filmes, novelas, livros, moda, publicidade, música, enfim, em tudo. Vivemos a Era da Erotização.

Como acreditar em uma Igreja que possui tradição em praticar tantos atos bestiais? São muitos os relatos denunciados. E os que não foram denunciados? E os que se calaram por vergonha ou medo? Como pregar fraternidade e a paz do Cristo, abusando sexualmente de crianças e adolescentes que estão sendo traumatizados para o resto de suas vidas? Meu Deus! Que mundo cão é esse que está escondido por detrás dos muros católicos?

O que Cristo diria se descesse à Terra e visse a Igreja Católica nadando na lama da luxúria?

Como se não bastasse a vergonha da Inquisição, a Igreja Católica insiste em brilhar, cada vez mais, no noticiário das aberrações de escândalos sexuais. É nojento.

 

 

Entrevista: Iniciação de bruxos na Casa Telucama

Senhora Telucama, no Templo de Deméter

Depois da noite de tempestade, cheia de raios, relâmpagos e trovões que quase desmanchou Salvador no último domingo, o dia amanheceu ensolarado e com uma brisa suave na segunda-feira.

Eu havia marcado às 10 horas da manhã para chegar à casa de minha amiga Gracinha para entrevistá-la. Ou melhor, Graça Azevedo, Senhora Telucama, Suma-Sacerdotisa do templo de bruxaria tradicional celta, localizado em Ipitanda, Lauro de Freitas.

Ela me recebeu com o costumeiro sorriso sereno nos lábios e me pediu para esperar, enquanto acabava de realizar um atendimento na sala de banhos.

Sentei em uma das varandas do templo e logo tratei de viajar no som das ondas quebrando na praia, no canto dos passarinhos, alegres naquela manhã tão fresquinha e cheia de raios de sol. No lago, um sapo gritava, um fofo. Adoro sapos. Do meu lado, encontrei um cara muito legal, deitadinho em um banco. Um gato preto, lindo!!! Perguntei a um dos funcionários da casa qual era seu nome. “Mabon”, ele disse. Uau! Tínhamos algo em comum. Afinal, Mabon é o nome de um dos sabás que compõem a Roda do Ano das bruxas e eu conheci Gracinha em um chat usando o nickname Beltane, que também é o nome de um sabá. Alías, até hoje ela e as bruxas da casa só me chamam de Beltane ou, mais carinhosamente, Bel. Adoro! É meu nome de bruxa, digamos.

Mabon, o gato

 Brinquei com Mabon, que, gaiato, logo tratou de se esfregar nas minhas pernas e pulou no meu colo. Mas depois sucumbiu ao cantarolar das ondas e adormeceu, fechando seus lindos olhos verdes, cor de umbu novo.

De volta de seus afazeres, Gracinha sentou-se diante de mim, com um lindo vestido púrpura, e tinha o símbolo da lua crescente pintado na testa. Para meu deleite, ela exalava uma deliciosa essência de óleo de olíbano! Uma maravilha!

Um pingue-pongue sobre iniciação na bruxaria era o motivo do nosso encontro. Ao que minha amiga respondeu com sabedoria.

1. Holistika: Como acontece o processo de iniciação na bruxaria tradicional?

Senhora Telucama: Através de um colegiado. Nós obedecemos a critérios de passagem dos mistérios aos iniciados e por isso existe uma necessidade de graduação. Nossos ancestrais deram a vida para preservar nossa cultura e nós temos como critérios fundamentais para o ingresso do postulante o equilíbrio, a sensatez, o perfeito amor e a perfeita confiança. Nós avaliamos as pessoas que aqui chegam através de entrevistas e analisamos quais os reais motivos que as trazem aqui. Se vêm pelo modismo, curiosidade ou outra razão. Atualmente, é muito comum recebermos pessoas indicadas por quem já frequenta a casa, seus parentes e amigos. Uma vez feita a inscrição, a pessoa é aceita e passa a frequentar a Tenda do Cordão Branco, que é o grau de postulação. Em um ano, os postulantes vão estudar sobre toda a história oral da trajetória do homem no planeta Terra, desde o período paleolítico. Eles vivenciam dinâmicas de grupo, como processo de autoconhecimento sobre a visão da terapia holística. Paralelo a isso, passam a cumprir e vivenciar a Roda do Ano (lunar), que é composta pelas entradas e saídas das estações do ano, quando os sabás são celebrados. São necessários 7 anos até se chegar ao último grau (para sacerdotisa ou sacerdote). Com um ano e um dia, o postulante presta juramento por livre e espontânea vontade aos deuses, observando-se sempre o livre-arbítrio.

2. H: A bruxaria é uma religião milenar, que remonta a cerca de 10 mil anos. O que mais mudou desde os primórdios e o que se mantém inalterado?

ST: Nós não usamos mais o termo “religião” (que significa “religar”) porque temos a consciência de que nunca nos desligamos da divindade. Em todas as encarnações, buscamos uma adaptação metodológica do sistema histórico em que estamos envolvidos. Por exemplo, hoje as bruxas organizam o colegiado de forma didática de forma a suprir as necessidades sociais e culturais. Antigamente, as bruxas moravam nas escolas, hoje as aulas acontecem uma vez por semana. Utilizamos a internet para nossa comunicação, mas fazemos questão de manter a passagem do conhecimento em 70% através da tradição oral. Isso não muda, a oralidade é a nossa força. O postulante começa a aprender o sigilo desde o primeiro ano, mas os mistérios começam a ser passados a partir do terceiro ano. Isso cria os vínculos de amor e confiança, tornando-nos uma verdadeira família.

“Se não há prática,

as brumas se encarregam

de apagar o conhecimento”

3. H: O que faz as pessoas optarem, nos dias atuais, pelo ingresso na Antiga Religião?

ST: Felizmente, hoje observamos pessoas mais maduras, homens e mulheres numa faixa etária que vai dos 18 aos 80 anos. Eles buscam a paz interior e, como a bruxaria estabelece uma conexão com a divindade através da natureza, isso proporciona uma sensação de paz e alegria. É uma filosofia sedutora e complexa. As pessoas estão buscando viver com mais simplicidade, estão buscando o retorno às coisas simples da vida, sem a artificialidade do mundo industrializado. Aqui tudo é natural, nossos alimentos, o herbarismo, enfim, lidamos todo o tempo com elementos da natureza.

4. H: De que é feito um grande bruxo (ou bruxa)?

ST: Em primeiro lugar, lucidez para discernir o que é certo e o que é errado. Em segundo, deve ter disponibilidade para o aprendizado. Em terceiro, deve ter comprometimento consigo mesmo e com a natureza.

5. H: O que é inaceitável em um bruxo?

ST: A deslealdade. Não tanto a infidelidade, porque essa é circunstancial, mas a deslealdade é uma questão de caráter e contra isso não há bruxaria. É uma questão muito séria, pois o processo iniciático envolve juramentos.

6. H: O que acontece quando um bruxo que atingiu os últimos graus abandona o caminho?

ST: É uma questão de livre-arbítrio. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e isso é uma questão pessoal. A partir do momento que ele ou ela se desconecta, os mistérios aos poucos vão se diluindo. Se não há prática, as brumas se encarregam de apagar o conhecimento.

7. H: Fale a respeito de uma prova decisiva para um bruxo que está trilhando a iniciação.

ST: Quando o postulante está prestes a passar para o cordão verde, avaliamos seu comportamento e sua dedicação.

8. H: Eu já tive a oportunidade de ver uma bruxa comandar o fogo e abrir uma clareira num céu de nuvens em noite de sabá, para neutralizar por algumas horas o fenômeno da chuva, a fim de que a festa transcorresse com a fogueira acesa e todo o ritual se consumasse. Essa e outras formas de expressão de comando e controle das forças da natureza fazem parte do dia-a-dia de um bruxo. De posse de tantas “habilidades”, seria a vaidade um mal a ser exorcizado pelos bruxos? Como isso se desenvolve?

ST: Quando um bruxo chega ao patamar do uso contínuo de suas habilidades, sobretudo as relativas a fenômenos físicos, ele é observado na sua humildade e na sua lucidez. Caso se verifique que cometeu algum deslize, seus graus são confiscados e ele terá de repetir por um ano tudo que vivenciou naquela etapa. E isso tudo lhe é explicado e justificado. Isso é muito comum acontecer. Há, inclusive, o caso de uma filha que teve de esperar por 6 anos para mudar de grau por vaidade e mau uso do conhecimento.

9.H: A Antiga Religião foi totalmente edificada em sintonia com as forças da natureza. As principais celebrações acontecem nos equinócios e nos soltícios; os animais têm papel fundamental e de destaque, bem como toda a flora. Como a bruxaria encara o atual momento de violenta agressão a que o homem está submetendo o planeta? Isso está afetando a religião?

A Roda do Ano

ST: A religião está sofrendo e nós buscamos amenizar esse desequilíbrio, como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta carregando um pouco de água no bico, em viagens intermináveis de idas e vindas. Louvamos a terra, celebramos os elementos. Essa é a nossa parte. Mas, infelizmente, todas as civilizações, de uma forma ou de outra, mexeram com a natureza, que sempre se rebela.

10.H: Por que ser um bruxo?

ST: Bruxaria é sabedoria é a busca da essência do ser que vive em perfeita harmonia com a vida.

11. H: Qual é o “coração” da Casa Telucama? Energeticamente, onde está localizado o ponto central?

ST: Há vários “corações” na casa e nós respeitamos a energia de cada ponto. Cada deusa da tríplice aliança que rege a casa é um desses pontos. Temos no templo de Deméter a energia da mãe. No de Hécate, vigora a energia da sábia anciã e no de Ártemis reina a jovem buscadora. São esses os três pilares fundamentais, mas há ainda a grande acolhedora, Gaia.

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Saiba mais sobre:

Casa Telucama

A Roda do Ano e os Sabás 

Atendimentos de Cura:

1. Oráculos: tarô, runas, água, cristal

2. Terapias: banhos, Reiki, Alinhamento de chacras

Tel.: (71) 3378-1758 e 3287-0622

senhoratelucama@terra.com.br

Semana da Mulher (5) – O Arquétipo da Deusa

Com que deusa do panteão grego você mais se identifica? Mulheres são fantásticas, ardilosas, emotivas, misteriosas, tiranas, atletas, poderosas, líricas, sedutoras. Somos muitas em uma só. E é por isso que somos fascinantes. Neste 8 de março, quando se comemora o Dia da Mulher (besteira, todos os dias são nossos), segue minha homenagem a nós, seres especiais, criadoras, mantenedoras e transformadoras, como Shiva. Quem é Shiva? Isso é papo pra outro post.

Há alguns anos, quando conheci o livro A Deusa Interior (de Jennifer Barker Woolger e Roger J. Woolger), mergulhei no multifacetado universo feminino desses maravilhosos perfis. O mais importante é percebermos que não somos apenas uma, mas todas elas, em diferentes percentuais. Ora um pouco Deméter, ora mais Ártemis, ora bastante Hera.

Tentar descrever o livro é muito pouco. A leitura é obrigatória para toda mulher que busca auto-conhecimento e também é válido para os homens que se interessam por tentar entender como funciona esse complexo ser chamado Mulher.

Na obra, a psique feminina é dissecada por meio da interpretação do arquétipo de: Hera, Deméter, Atena, Afrodite, Peséfone e Ártemis.

Atena> Rege tudo o que se relaciona com a civilização, os aspectos da vida urbana, das cidades e tudo o que pode se chamar de “civilizado”. A mulher Atena está sempre em evidência por ser extrovertida, prática e inteligente. A princípio, os homens ficam intimidados com ela, visto que não reage a galanteios medíocres e é capaz de colocar os homens em xeque em uma discussão intelectual. Mas quando conquistam seu respeito, ela pode se tornar uma companheira leal para o resto da vida.

Afrodite> Rege o amor e a eroticidade, ou seja, todos os aspectos da sexualidade, da vida íntima e das relações pessoais. Afrodite é a deusa da beleza e das artes visuais – pintura, escultura, arquitetura, poesia e música. Ela rege a inspiração artística e todo contato criativo entre os sexos. A mulher Afrodite é sobretudo sensual, feminina, vaidosa. Uma exibicionista por natureza – o que não é um aspecto negativo nem positivo, é simplesmente uma de suas características. Acima de tudo, Afrodite quer que os relacionamentos sejam amorosos, não importando se amigáveis, sociais, físicos ou espirituais. Ela quer que tenham coração.

Ártemis> É uma deusa essencialmente da natureza em sua forma virgem ou indomada. Nesse aspecto se contrapõe a Atena, que representa a natureza domada. Ártemis está próxima dos animais, da caça e dos ciclos da natureza que regem o mundo. Está voltada a atividades do corpo, práticas ao ar livre. Por reger a semente e o fruto, é às vezes chamada Senhora das Plantas, simbolizando sua profunda ligação com todos os aspectos da alimentação, do crescimento, dos ciclos das safras, e da colheita e preservação dos alimentos. Ártemis não se sente à vontade no mundo moderno. Na verdade, a mulher Ártemis brilha mesmo no campo, nos cenários de natureza, onde pode dar vazão à sua natureza livre. Enquanto Atena é uma mulher sofisticada, Ártemis prefere o jeans, a camiseta e o tênis.

Perséfone> Ela é a rainha dos mortos, a que transita com serenidade pelo mundo espiritual ou o domínio dos mortos. Consciente ou inconscientemente, não importa, ela está em contato com os poderes transpessoais superiores da psique. Nos termos da psicologia moderna, Perséfone rege a mente inconsciente mais profunda, o mundo onírico e tudo o que se relaciona com os fenômenos psíquicos ou paranormais e com o misticismo. A mulher Perséfone possui capacidade visionária e está profundamente envolvida com a mediunidade. Ela é um poço de intuição.

Hera> A mulher Hera sempre se destaca nos grupos. Ela é auto-confiante e parece ter nascido para mandar, independentemente de sua classe social. A mulher Hera floresce no companheirismo do matrimônio. A mulher Hera é conservadora, mãe que prima por manter a tradição familiar. Ela encarna perfeitamente a frase “Por trás de todo homem há sempre uma grande mulher”.

Deméter> É a mãe. A mulher Deméter está sempre rodeada de crianças, é a que nutre e alimenta famílias inteiras. Mas note-se que não é apenas o simples fato de cuidar de crianças sua principal característica, mas sim tratar de tudo que precisa ser cuidado, que é indefeso, carente. A mulher Deméter se sente feliz fazendo exatamente o que melhor sabe fazer: ser mãe.

Para saber mais sobre mitologia grega, visite:

Mitologia grega

Mitos Gregos

Faça o teste do arquétipo da Deusa predominante em você!

As maravilhas deliciosas do inhame – receitas saudáveis

Recebi um e-mail de minha amiga Carmen Lúcia sobre o inhame. Segundo ela, o alimento é milagroso para uma série de aplicações. Não tenho a comprovação mas acho que abrir a discussão é válido. E além do mais ela manda uma monte de receitinhas. Se não fizer bem, pelo menos mal não fará. Valeu, Carminha.

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INHAME COMBATE A DENGUE!
MITO OU VERDADE?

O inhame limpa o sangue, é um dos alimentos medicinais mais eficientes que se conhece e faz muitas impurezas do sangue saírem através da pele, dos rins e dos intestinos. No começo do século passado já se usava elixir de inhame para tratar sífilis. Fortalece o sistema imunológico. Os médicos orientais recomendam comer inhame para fortificar os gânglios linfáticos, que são os postos avançados de defesa do sistema imunológico. É curioso que a forma do inhame seja tão semelhante à dos gânglios.

O alimento evita malária, dengue e febre amarela. A presença do inhame no sangue permite uma reação imediata à invasão do mosquito, neutralizando o agente causador da doença da dengue antes que ele se espalhe pelo corpo. Aldeias inteiras morreram de malária depois que as roças de inhame foram substituídas por outros plantios.

Dengue – Infecção virótica que faz doer o corpo inteiro, especialmente as juntas, e dá muita febre; deixa a pessoa fora de combate por algum tempo e pode matar. O tratamento natural é comer inhame. Comer inhame em vez de batata, duas ou três vezes por semana, previne contra dengue. Em situações de epidemia, comer um inhame por dia é mais que bastante – em sopa, purê etc. Mesmo já estando com dengue, comer inhame,  ou tomar o elixir de inhame, vendido em qualquer farmácia, costuma acelerar muito a recuperação.Também é importante usar o inhame depois da dengue, para eliminar os resíduos do sangue que tornam mais dramática a recaída.

Fertilidade feminina – É mais poderoso que a batata e tem a vantagem de ser nativo, enquanto a semente da batata é importada. Inhame dá com fartura em qualquer lugar úmido. Em vez de apodrecer na cesta, como a batata, ele brota e produz mais inhames. Nas mulheres aumenta a fertilidade porque contém fitoestrógenos, hormônios vegetais, importantes na menopausa e após.

Existem o inhame do norte e o cará, maiores e mais lisos, que são muito bons para comer mas não têm o mesmo poder curativo do inhaminho (também chamado de inhame chinês). A folha parece com a taioba, é da mesma família. Ao contrário do que se pensa, a folha do inhame também serve para comer, cozida ou refogada. Na África e na América do Norte se chama taro, na América Central é ñame ou otoe, na França é igname, na Índia albi, no Japão sato-imo, no Caribe malanga ou yautia. E cará, em inglês, é yam.

RECEITAS

Inhame  cru – Rale e tempere com sal marinho e limão ou com molho de soja. É muito forte. Um leproso que se escondeu no mato e só tinha inhame cru para comer ficou inteiramente curado depois de alguns meses. (Se der coceira nas mãos na hora de descascar, passe um pouco de óleo ou lave com água bem salgada.)

Vitamina com inhame – Ponha no liquidificador um inhame, uma cenoura, alguns ramos de salsa (ou outra folhinha verde, como coentro ou hortelã) e o suco de duas laranjas, com mais água se desejar. Tudo cru. Dá para dois copos.

Cuscuz de inhame – Ponha alguns inhames com casca e tudo na parte superior da cuscuzeira, ou numa peneira sobre uma panela com água fervendo, e tampe. Depois de meia hora espete com o garfo para ver se estão macios. Nessa altura a casca se solta com muita facilidade, basta puxar que sai inteirinha. É aí que o inhame tem o sabor mais simples e gostoso.

Purê de inhame – Depois de cozinhar os inhames no vapor ou na água, solte a casca e amasse com um garfo; junte um pouquinho de manteiga e de sal marinho, ou molho de soja, e misture bem. Só precisa ir ao fogo de novo se for para esquentar.

Patê de inhame – É ótimo para passar no pão e substitui muito bem as pastas de queijo nas festas. A base é um purê de inhames cozidos e amassados, ao qual se acrescentam azeite ou manteiga, folhas verdes picadinhas (salsinha, manjericão, coentro, cebolinha) ou orégano.

Patê de inhame com beterraba –  Uma beterraba cozida e batida no liquidificador com inhame e um pouco de água vai produzir uma pasta rosada.

Maionese de Inhame  – Batido com azeite, alho, água e sal faz uma delícia de molho tipo maionese. Use a criatividade e ofereça aos amigos uma coisa nova de cada vez!

Inhame sauté – Depois de cozidos e descascados, corte os inhames em rodelas ou pedaços; esquente manteiga ou azeite numa frigideira; ponha os inhames, e sobre eles bastante folhas verdes picadinhas (salsa ou cebolinha ou manjericão ou coentro ou orégano ou outro tempero de sua preferência), uma pitada de sal marinho, mexa rapidamente, baixe o fogo e deixe grudar um pouquinho no fundo para ficar crocante.

Inhame frito – É muito mais gostoso do que batata. Corte em rodelas finas ou palitos, frite em óleo bem quente e deixe escorrer sobre um papel que absorva a gordura.

Pizza de frigideira – Rale inhames crus, misture com farinha de arroz ou de milho, tempere a gosto; achate a massa numa frigideira antiaderente e deixe assar dez minutos de um lado, dez do outro. Com alguma prática dá para fazer isso numa chapa bem quente, levemente untada. O ponto da massa não deve ser nem seco nem aguado.

Inhoque de inhame – Faça exatamente como se faz o inhoque de batata: cozinhe os inhames, descasque, amasse com farinha de trigo e uma pitada de sal marinho até a massa ficar com a consistência que dê para enrolar. Enrole em cordões, corte, ponha para cozinhar de pouco em pouco numa panela com água fervendo. Quando os inhoques subirem é que estarão cozidos. Se puder, substitua parte da farinha de trigo comum por outra que seja integral.  E o molho? Ao gosto do freguês.

Inhame no feijão – Engrossando o caldo cozinhe um ou dois inhames junto com o feijão, que eles desmancham e o caldo fica bem grosso.

Bolinhos de inhame – Cozinhe, descasque e amasse ligeiramente os inhames com um pouco de cebola ralada, cebolinha verde picadinha ou alho-porró em fatias fininhas, uma pitada de cominho e outra de sal; junte farinha de trigo para dar liga, pincele com gema de ovo e asse no forno até a superfície secar. Ou frite.

Forminhas de inhame – Descasque e rale os inhames crus na parte mais fina do ralador, para obter uma papa líquida. Junte fubá de milho ou farinha de arroz integral (que se faz tostando o arroz e batendo aos pouquinhos no liquidificador) até conseguir uma consistência boa, mas ainda úmida. Tempere a seu gosto: com sementes de cominho ou de erva-doce, uma pitada de sal, talvez um queijo ralado ou uma azeitona. Unte forminhas, encha com a massa e ponha em forno bem quente durante cinqüenta minutos.

Bolo salgado de inhame – Deixe de molho duas xícaras de triguilho durante duas ou três horas e esprema; junte duas xícaras de inhame cozido e duas de farinha de arroz. À parte, refogue alguns legumes com um pouco de tempero, mas não deixe cozinhar. Tire do fogo e misture à massa. Ponha numa forma untada, espalhe queijo ralado por cima e leve ao forno alto por quinze minutos; aí ponha a chama em ponto médio e deixe mais quinze minutos. Cheirou, está pronto. Acrescente ovos cozidos se quiser um prato mais forte.

Torta de inhame em camadas – Cozinhe, descasque e amasse os inhames; cozinhe e amasse a terça parte de abóbora; refogue uma verdura picadinha tipo espinafre ou acelga ou agrião ou chicória ou folhas de nabo ou de cenoura, etc. Unte uma forma refratária com manteiga,ponha uma camada de inhame e sobre ela uma de abóbora; outra de inhame e sobre ela a verdura refogada; mais uma de inhame. Pincele ou não com ovo, enfeite com rodelas de cebola, leve ao forno para secar durante 20 minutos.

Sopa desintoxicante de inhame  com missô – O missô é um alimento tradicional japonês muito usado como tempero, feito de soja fermentada com cereais e sal. Vem em forma de pasta. É muito rico em enzimas, proteínas e vitamina B12, devido ao seu processo de fermentação. Limpa o pulmão dos fumantes, restaura a flora intestinal, e acima de tudo dá um gosto todo especial à sopa. Portanto cozinhe os inhames descascados com o mesmo tanto de água, uma ou duas folhinhas de louro e alguns dentes de alho inteiros; depois bata no liquidificador para obter um creme fino. Acrescente o missô, na base de uma colher de chá cheia por pessoa, ou dissolva com um pouco d’água numa tigelinha e deixe que cada um se sirva como quiser. (Algumas pessoas vão preferir sal.) Cebolinha verde picada, por cima, combina muito.

Creme de inhame com agrião – Faça como na receita anterior; depois de bater no liquidificador devolva ao fogo, ponha sal se for o caso, espere ferver e junte um bom punhado de agrião cru, lavado e cortado. Deixe cozinhar um minuto, apague o fogo e sirva. Com missô, se não tiver posto sal.

Torta doce de inhame com abacaxi – Cozinhe os inhames, descasque, amasse e forre com essa massa uma assadeira untada; espalhe por cima uma compota de abacaxi feita com sementinhas de erva-doce e cravo-da-índia, quase sem água, pois o abacaxi solta caldo. Leve ao forno quente durante meia hora. Substitua por outra compota de sua preferência.

Bolo doce de inhame com aveia em flocos – Misture duas xícaras de inhame cozido com duas de aveia em flocos e duas de farinha de arroz integral (toste o arroz, bata no liquidificador em pequenas porções); 1/2 litro de suco de laranja (ou outro líquido doce, como chá de estévia, ou leite de coco adoçado com melado); uma colher de sopa de manteiga, se quiser; uma pitada de noz-moscada e canela em pó; frutas secas e castanhas picadas, ou banana madura em rodelas. A consistência da massa deve ser pastosa, nem aguada nem dura. Unte uma forma e leve ao forno quente durante meia hora, mais ou menos, mantendo a chama alta durante quinze minutos e baixando então para um ponto médio. Você sabe que o bolo está no ponto quando cheira. A partir daí ele vai secando, e, quanto mais tempo ficar no calor, mais firme será sua consistência. Se quiser um bolo mais fofo, junte uma colherinha de café de bicarbonato de sódio dissolvido em suco de laranja no final do preparo da massa. Esse bolo dá um ótimo panetone quando leva frutas cristalizadas e é assado em forma alta.

Biscoitos de inhame com aveia – A massa é a mesma do bolo. Unte um tabuleiro e despeje com a colher pequenas porções. Asse em forno alto até chegar ao ponto desejado. Como todo biscoito que leva aveia, este também só endurece depois que esfria.

Mousse de inhame com ameixa – Ponha no liquidificador uma parte de inhames cozidos com uma parte de ameixas-pretas, sem caroço, cozidas com canela; aproveite a calda para bater a massa. Repita a receita usando maçãs ou bananas em compota em vez de ameixas. Para fazer a compota, não é necessário adoçar, pois essas frutas já têm bastante açúcar natural. Basta que estejam bem maduras. Leva-se ao fogo baixo, em panela tampada, com uma pitada de sal e um pouco de água. Quanto mais cozinharem, mais doces ficam.
 

Semana da Mulher (4) – Helena Petrovna Blavatsky

 
Helena Petrovna Blavatsky

 Eu poderia dizer que foi muito difícil escolher uma mulher notável para homenagear na Semana da Mulher – dentre tantas figuras femininas memoráveis que por alguma louvável razão escreveram seus nomes nas páginas da história da humanidade –, mas não foi. 

Quando penso em uma mulher de valor, logo me vem à mente a figura rechonchudinha, de olhos enormes, azuis e expressivos de Helena Petrovna Blavatsky. 

Poucas mulheres, hoje em dia, têm coragem de ousar saber tanto quanto ela ousou desvendar. Poucas mulheres têm coragem de ir tão longe quanto Helena foi, no século XIX, cruzando oceanos, continentes, para lá e para cá, em busca de ensinamentos milenares que, uma vez compilados em sua valiosíssima obra literária, seriam a base para  a criação da Teosofia

Pertencente a família nobre e aristocrática russa, Helena nasceu em 1831. Dotada de rara inteligência, era considerada um prodígio e ainda bastante jovem era possuidora de uma trajetória de vida repleta de fatos curiosos que até hoje são estudados pela parapsicologia. A fim de conter sua natureza indômita, aos17 anos foi obrigada por seus pais a se casar com o velho general Nicephoré Blavatsky, união que durou apenas três meses. 

Em 1941, Helena foi para Londres e de lá seguiu para o Egito, Atenas, Smirna e Ásia Menor e tentou, sem sucesso penetrar no misterioso Tibete. 

Após ter viajado para a China, Japão, América e Índia, HPB tentou ainda por duas vezes penetrar no Tibete, sem sucesso. Na terceira tentativa, seu desejo foi realizado, em 1870, e lá recebeu instrução direta (em textos decorados) de lamas do budismo mahayana e transformou parte destes ensinamentos no mágico A Voz do Silêncio

HPB escreveu outros tantos livros ricos em conhecimento ocultista, mas A Voz do Silêncio de certa forma tem um papel especial na minha vida. 

Certo dia, quando eu tinha 21 anos, decidi ir ao cinema e tentar esquecer as dores de um amor não correspondido. Como eu estava desempregada e vivia com minha mãe, não tinha muito dinheiro na carteira. Mas foi o suficiente para comprar o ingresso e o melhor de todos os meus livros. Enquanto esperava a sessão começar, fiquei passeando pela galeria comercial onde havia o cinema e fui fazer hora em uma livraria. O título A Voz do Silêncio soou gritante na minha alma. Lia orelha e me apaixonei instantaneamente por aquela nova corrente filosófica. Era tudo o que eu precisava ler naquele momento da minha vida. O livro me transformou e me mostrou a ponta do iceberg chamado ocultismo – que eu ainda estou a descobrir. A partir dali nunca mais abandonei a literatura ocultista e passei a me interessar cada vez mais sobre o tema. 

O livro é um exercício de raciocínio, paciência e, sobretudo, mergulho na abstração da alma. Cheio de notas de rodapé, obriga o leitor a ir e vir por entre as páginas e reler incessantemente trechos que já foram lidos. Uma delícia! 

  Minha cabeça deu um nó e eu imediatamente saquei que meus sentimentos de mágoa não faziam o menor sentido diante da imensidão do universo, das leis universais, da grandeza de Deus. “Que mulher admirável é Helena Blavatsky”, pensei. 

Li o exemplar duas vezes e emprestei a duas pessoas. Uma delas não me devolveu e eu passei 5 anos tentando encontrar outro exemplar traduzido por Fernando Pessoa, pois o livro é raro. Encontrei ano passado na Saraiva! Ai, que felicidade! E estou relendo aos poucos, saboreando cada página novamente.  

Fernando Pessoa

Existem outras traduções, mas a de Fernando Pessoa é impagável, por motivos óbvios. O cara pirou quando começou a traduzir Blavatksy para o português. Se tornou teósofo e quase enlouqueceu quando se viu diante da profundidade dos textos teosóficos. Veja relato do mestre Pessoa sobre os textos de Blavatsky, em carta a seu amigo Mário de Sá-Carneiro: 

“Abalou-me a um ponto que eu julgaria hoje impossível, tratando-se de qualquer sistema religioso. O caráter extremamente vasto desta religião-filosofia, a noção de força, de domínio, desconhecimento superior e extra-humano que ressumam das obras teosóficas perturbaram-me muito. Coisa idêntica ocorrera-me há muito tempo com a leitura de um livro inglês sobre os Ritos e Mistérios da Rosacruz. A possibilidade de que ali, na Teosofia, esteja a Verdade Real me hante.” 

Já li muitos livros inesquecíveis, mas acho que esse é o meu preferido. Segue um aperitivo para quem gosta de ler e sentir fortes emoções na alma: 

“Acautela-te, discípulo, com essa sombra letal. Nenhuma luz que brilhe do Espírito pode dispersar a escuridão da Alma inferior, a não ser que todo o pensamento egoísta de lá tenha fugido, e que o peregrino diga: ‘Abdiquei deste corpo que passa; destruí a causa; as sombras, meros efeitos, não podem mais subsistir’. Porque teve lugar agora a última grande batalha, a guerra final entre o ser superior e o inferior.” A Voz do Silêncio