Longo inverno no verão

Após longo e tenebroso inverno de muitas atividades… retomo os escritos na minha casinha virtual, Holistika. Confesso que ando meio enferrujada… mas… enfim, cá estou novamente e com força total. 

Para me redimir, embaralhei meu bolinho de cartas e começo a nova temporada falando sobre O Mundo, um belo arcano, mas um tanto controverso, ao menos para mim. 

Tarô Fenestra

 

Lembro que quando comecei a vasculhar o universo arquetípico dos 22 Arcanos Maiores me senti bastante atraída por esta carta. Glamourosa, com sua figura andrógina e dançante ao centro, cercada pelos quatro elementos, um grande barato. Mas os problemas surgiram… Primeiro: diante de uma cena tão linda, qual seria o aspecto negativo desta lâmina, se é que isso é possível??? Segundo: é o Arcano 21 ou o 22??? Ai ai ai ai ai … que complicação… Não quero entrar nesse mérito, levaria dias escrevendo. 

(Muitos) anos de (muita) leitura me fizeram optar pelo 21 e ponto. Não discuto com quem afirma que é o 22, mas também peço que me deixem quieta na escolha do meu modesto 21. Ufa! Feito isto, voltemos ao questionamento da sombra do meu modesto arcano 21… 

“Realização, felicidade, bem-aventurança, blá-blá-blá”. É. O papo é bonito, a simbologia da carta é fascinante. Mas diante de um cenário em que tudo parece tão perfeito, adequado, bem resolvido e radiante é possível esbarrar na auto-confiança, na arrogância, na sensação de que não há mais estrada a ser trilhada… e não dá para cochilar… não a essa altura do campeonato. 

E agora que tudo parece estar pronto? Quais são os novos projetos? O que falta fazer? Estou feliz com o que conquistei até o momento? E está realmente, de fato, tudo bem conquistado ou será que tem alguma pontinha solta?! É um caso a se pensar. 

Não é papo pessimista, mas sempre que troco figurinha com um grupo de amigas que gostam de conversar sobre o tarô percebo que há um entusiasmo quando se fala de O Mundo. 

Há alguns arcanos que brilham tanto que seu brilho ofusca a compreensão de sua sombra. É assim com O Mundo, O Sol, O Carro. E o contrário acontece com outros, tais como A Lua, A Torre, O Enforcado, que, de início, causam um arrepio de medo e desconfiança em quem os tira. Que nada. 

Tirar O Mundo, hoje, para mim me traz uma sensação de dever cumprido, mas também me faz parar para refletir se de fato eu estou fazendo o que quero, se é esta a vida que eu escolhi, que me faz feliz. Serei eu feliz? Ou será que devo iniciar uma nova mandala e trilhar mais uma vez a rota d‘ O Louco, até chegar novamente, uma oitava acima, no final da jornada?
A reflexão é boa e, como a vida segue, vou repensar meus valores e reavaliar meu atual cenário, mas, no geral, posso responder que sou, sim, uma pessoa feliz e realizada. 

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