O velho e bom Eremita. Há muito não o olhava nos olhos. Há muito não dedicava à sua santa figura um momento de atenção. Falta de tempo? Talvez. O mais provável é que eu tenha negligenciado sua existência e os ensinamentos de quem já caminhou muito, já viu de um tudo e pouco fala.
O momento é de silêncio, introspecção, lentidão ao ruminar as ideias, os fatos. Passo a passo, vou seguindo o caminho. Vez por outra piso em uma pedrinha, vez por outra encontro um calçamento lisinho e gelado, refrescante para os calos.
O momento também é de deixar fervilhar os pensamentos e as lembranças. Tenho identificado muitos momentos agradáveis do passado através de cheiros, lugares, músicas, roupas e pessoas. Esta semana já voltei ao passado umas 15 vezes. É legal quando a viagem nesse túnel do tempo nos leva a boas paragens. Nem sempre isso acontece, mas a vida não é um parquinho de diversões, mas também não chega a ser um filme de terror.
Quando somos jovens temos pressa, andamos rápido, quase não pensamos antes de agir e inevitavelmente muitas vezes quebramos a cara. Na velhice, nossos gestos são mais lentos, num simples virar de rosto, ao levantar de uma cadeira, ao caminhar. Vejo tanta beleza e autoridade nisso. O envelhecer. Não falo da decreptude nem da senilidade, mas do entardecer do corpo e da mente, que pouco a pouco vão apagando as luzes de uma vida trilhada. Mas, enquanto esse declínio se dá, a alma brilha! A mim parece que a alma vai ficando cada vez mais límpida e pura novamente, com o passar dos anos, como quando éramos bebês.
Tão linda a inocência dos velhos de cabelos brancos e faces vincadas! Tão linda a pureza dos olhos das crianças que ainda não conhecem a mentira!
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Quando a sabedoria vai ocupando o lugar do intelectualismo, aí ele (o velho com a lamparina) chega, nosso Eremita, nossas “verdades” temperdas com a vivência real. Saudações ao Sábio!
Beijo,
Tânia