Aos meus querido amigos que dedicam, eventualmente, parte de seu tempo à leitura dos posts de Holistika aviso que me ausentarei por alguns dias, em merecido período de gozo de férias. Mas eu volto.
Beijos e até breve.
De férias
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Ricardo Chemas fala sobre: A Cura através dos Sonhos
Ao vasculhar meus alfarrábios virtuais, eis que encontrei uma matéria escrita por uma amiga jornalista, Tânia Contreiras, sobre palestra proferida pelo cientista paulista radicado na Bahia, Ricardo Chemas. Em 30 de junho deste ano, o médico clínico e neuropsiquiatra palestrou para cerca de 80 pessoas na Clínica da Família, no bairro de Vila Laura, em Salvador, sobre um tema que fascina a todos: sonhos. Desfrutem do texto.
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A Cura através dos Sonhos
Por Tânia Contreiras
Publicado em Ciência, Palestras, Psicologia, Terapia, Uncategorized | Tags:Cura, Darwin, elementos químicos, Esculápio, Freud, Grécia, Jung, neuropsiquiatria, onírico, oníricotoxicológica, Ricardo Chemas, sonhos
Mundo Verde premia declaração de amor ao mundo
Concurso cultural oferece estadia em eco-hotel de Goiás
Ação é divulgada também nas redes sociais
No Mundo Verde, declarar amor pelo mundo pode valer um fim de semana com acompanhante em um eco resort. A rede acaba de lançar o Concurso Cultural Eu Amo o Mundo.
Para concorrer, basta acessar o hotsite www.mundoverde.com.br/euamoomundo até dia 5 de dezembro e postar foto e declaração de amor pelo mundo, com até 300 caracteres. A premiação dá direito a transporte e hospedagem com café da manhã no Hotel Parque das Primaveras, em Caldas Novas (GO), considerado o paraíso das águas quentes no Brasil.
Além do hotsite criado especialmente para realizar o concurso, há distribuição de folders nas lojas Mundo Verde em todo o país e divulgação na web, por meio do Blog Mundo Verde (agora em novo endereço – www.mundoverde.com.br/blog) e das redes sociais Orkut, Twitter, Facebook e Flickr.
O resultado será divulgado no dia 15 de dezembro. O vencedor poderá viajar no período entre 1º de fevereiro e 30 de abril de 2010, excluindo-se os feriados.
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Material foi enviado pela Assessoria de Comunicação do Mundo Verde
Publicado em Concurso | Tags:águas termais, Concurso, Hotel Parque das Primaveras, Mundo Verde
Exercícios físicos em casa com bola
Recebi esse material há um tempo e gostei muito. Como não é algo factual, deixei para publicar em um momento mais tranquilo. Acho que deve ser uma boa opção para quem quer se manter em forma - pelo menos sair um pouco do sedentarismo - e não tem tempo para ir a uma academia.
Boa malhação para vocês!
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ROTEIRO PARA EXERCÍCIOS COM BOLA
1. Cowboy
Objetivo: aquecimento;
Posição Inicial: sentado sobre a bola;
Movimento: saltar empurrando os pés contra o chão;
Variação: saltar afastando os joelhos e batendo as palmas das mãos acima da cabeça – como no exercício “polichinelo”. Saltar por 3 minutos.
2. Elevador
Objetivo: fortalecimento de pernas;
Posição Inicial: em pé com bola apoiada entre a parede e a parte superior da coluna, manter os pés a frente do quadril;
Movimento: flexionar e estender o joelho, sempre mantendo o abdominal contraído;
Realizar 3 séries de 8 repetições cada.
3.Abdominal
Objetivo: fortalecimento dos músculos abdominais inferiores;
Posição Inicial: deitado no chão com a bola entre os joelhos flexionados;
Movimento: trazer a bola em direção ao peito sem tirar a coluna do chão;
Realizar 3 séries de 15 repetições cada.
4. Alongamento
Posição Inicial: joelhos apoiados no chão e a bola apoiada no lado direito do corpo;
Movimento: apoiar a lateral do quadril sobre a bola, levando a mão direita em direção ao chão, o braço esquerdo permanece esticado acima da cabeça. Manter por 30 segundos e repetir para o outro lado.
5. Relaxamento
Posição Inicial: deitado sobre o chão, pés apoiados na bola;
Movimento: balançar as pernas de um lado para o outro;
Manter por 30 segundos a posição e descansar.
Sobre a bola
A Gynastic Ball é fabricada em vinil de alta resistência e suporta até 200 kg. O produto está a venda em todo o Brasil em diversos tamanhos, relacionados à altura do usuário. Para escolher, é preciso ter orientação fisioterapeuta ou educador físico e seguir a tabela abaixo:
TAMANHO COR ALTURA DO USUÁRIO
45 cm amarelo De 1 metro a 1,20m
55 cm vermelho De 1,20 m a 1,50 m
65 cm prata De 1,50 m a 1,70 m
75 cm laranja De 1,70 m em diante
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Material enviado pela Assessoria de Comunicação da Carci , especializada em soluções para fisioterapia e reabilitação física.
Publicado em Atividades Físicas, Saúde | Tags:Abdominal, Alongamento, Carci, Exercício físico, Fisioterapeuta, Fisioterapia, Ginástica, Preparador físico, Reabilitação, Relaxamento
Festival Holístico Internacional – Imbassaí (BA)
Zeca Baleiro, Xangai, Armandinho e J. Velloso são algumas atrações musicais que se apresentam no Festival Holístico Internacional, que acontece nos dias 27, 28 e 29, na praia de Imbassai, Mata de São João.
O objetivo do evento é viabilizar a implantação de um Pólo Temático Holístico na região de Imbassai, voltado para a arte, ciência, tecnologia, cultura, saber e entretenimento.
Acompanhado de sua banda, Zeca Baleiro se apresenta no dia 28, às 22 horas, com repertório que faz uma retrospectiva de sua carreira. Inclui releituras de canções já consagradas, como Salão de Beleza, Babylon e Quase Nada.
Publicado em Arte, Eventos, Música | Tags:Armandinho, Cultura, Entretenimento, Festival Holístico, Imbassaí, J. Velloso, Mata de São João, Show, Xangai, Zeca Baleiro
A coragem d’O Louco
Entrevista – Áureo Augusto: medicina, arte e meio ambiente

Aureo Augusto, médico
A Chapada Diamantina, localizada no centro do Estado da Bahia, guarda inúmeras riquezas em seu cenário. A região, no século XIX, foi o olho do furacão de uma corrida de garimpo de diamantes. Uma de suas mais acolhedoras cidades, Palmeiras (distante 445 quilômetros de Salvador), esbanja belas paisagens compostas por montanhas, rios, cachoeiras, pássaros exóticos e lindas orquídeas selvagens. Quem vai lá não se arrepende e volta para casa com muitas histórias para contar. A partir de Palmeiras, seguindo-se por 18 quilômetros de uma estrada de terra, chega-se ao Vale do Capão, cuja paisagem cheia de neblina pela manhã contrasta com o sol forte do meio-dia. Um de seus cidadãos mais ilustres concedeu entrevista para Holistika. O médico naturista Aureo Augusto fala de sua experiência como artista plástico, da importância da medicina preventiva e da beleza de ser humano. A entrevista será publicada, parcialmente, na edição de domingo (1º/11/2009) do Jornal A TARDE
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Por Marcia Gomes
Pingue-pongue com Aureo Augusto
1. Você se considera um médico eminentemente naturista ou aborda práticas da alopatia?
Resposta: Sou eminentemente naturista, conquanto em hipótese alguma faça oposição à alopatia. Há dois anos atuando no serviço público, o que tem sido uma experiência maravilhosa, sou obrigado a usar medicações alopáticas, pois aqui o serviço não é meu e sim da população. Seja como for, o PSF (Posto de Saúde da Família) do Vale do Capão é um lugar onde as pessoas podem escolher entre tratar-se naturalmente ou alopaticamente, ou, até, com uma combinação dos dois sistemas. É instigante.
2. Quando e por que Áureo Augusto decidiu sair da cidade grande e foi viver na natureza?
R: A natureza é uma atração. Talvez tenha a ver com determinados sentimentos um tanto indetermináveis e que não são apenas individuais. A nossa sociedade enveredou por um caminho doloroso. Ela mesma buscou (e busca) um retorno a algo que contribua para o reatamento de velhos laços. Na Inglaterra recém-entrada na Revolução Industrial, derrubar vetustas árvores chegou a ser uma moda. Uma vez que as consequências de tais atos começaram a se manifestar, a moda reverteu-se. Mas esta moda não é apenas expressão de um modismo e sim de uma alma carente de reconhecer plenamente o seu lugar no mundo. Por isso, tantos, por moda ou modismo (e muitos por fuga, registre-se) voltaram-se para a natureza. Eu, entretanto, entre tantos.
3. O que te move em direção ao exercício da cura?
R: A doença! Desde muito criança queria ser médico. Mas a experiência de padecer de sintomas desagradáveis teve um papel essencial.
4. Você está atualmente trabalhando no PSF. Fale um pouco sobre essa experiência.
R: A ideia de “Estratégia de Saúde da Família” é muito boa. Um posto onde além do atendimento ambulatorial a equipe está, por assim dizer, obrigada a atuar na educação para a saúde e na prevenção é algo, para dizer o mínimo, necessário. Tenho a sorte de contar com uma equipe excelente. O coordenador do posto é o enfermeiro Gleiton Ulhôa – que, quando me encontrou, a primeira coisa que disse foi que aquele posto não estava cumprindo suas funções por não atuar fora do atendimento ambulatorial, coisa que muito me alegrou. As agentes comunitárias de saúde – necessária e bem concebida interface entre o SUS e a população – são pessoas dedicadas e com as quais já mantinha relações por ser médico e parteiro. A auxiliar de enfermagem, Marilza Nery, é uma aliada de longa data nos atendimentos no Vale do Capão e por aí vai. A realidade é que temos feito um trabalho e tanto. No momento, estão em andamento mais de 10 projetos que atuam junto à comunidade. Conseguimos apoio técnico da UFBA (Faculdade de Farmácia), já lançamos dois livretos de uma série intitulada “Cadernos da Saúde do PSF”, o primeiro sobre auto-medicação e o segundo sobre acidentes odontológicos; o terceiro está pronto, e logo sairemos atrás do patrocínio. Este é um ponto importante. O município de Palmeiras é pobre e todas as nossas ações têm se realizado sem custos para o município. Estes cadernos são publicados graças a empresas da região que nos patrocinam. Nos dias 22 e 23 de outubro tivemos o “II Encontro de Profissionais do PSF do Vale do Capão”. Somos o único PSF que propõe e realiza um encontro como este. Desta forma, adquirimos e partilhamos conhecimentos que possam contribuir com a nossa população. O trabalho tem sido, às vezes, extenuante, mas os resultados nos alegram sobremaneira.
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"São Francisco e o sultão" (78 cm x 81 cm). Acrílica, ferro velho, pedaço de caveira de cavalo, costelas de cachorro (encontradas nos Gerais). Moldura feita com madeira de porta e cachorro de telhado de casa antiga do Vale do Capão | Arquivo pessoal
5. Você é famoso por transformar o insuspeitável em belo. Sua arte quebra o convencional e utiliza molduras formadas por galhos, fragmentos de janelas e outros elementos. Qual a real intenção em investir em materiais inovadores para compor seus quadros?
R: Descobri ao longo de minha vida que sou uma pessoa muito cheia de defeitos. No entanto, isso não faz de mim um ser desprezível. Aquilo que é rejeitado pode ser uma força, luz ou fonte de poesia. Uma vez, ainda estudante de Medicina e vendendo artesanato na rua, uma mulher interessou-se por um colar que achou lindo. Porém, se deu conta de que era feito com vidro que eu achara na praia (o mar vai desgastando o vidro, que fica fosco e lindo) e me jogou isso na cara. Então, com destempero juvenil, lhe respondi que ela passaria por aquele vidro e nem ligaria para isso, enquanto eu via nele a possibilidade de arte e depois venderia a ela mesma, cega, por um bom preço. A mulher comprou! Devo dizer que antes de mais nada o que faço em arte é mover-me pelo prazer. Gosto de pintar, colar, desenhar… O demais está apenso a isto. O substrato é a crença na beleza.
6. Qual a ligação entre a arte e a medicina?
R: Total. “Ars Medica”, se dizia no passado. Medicina é arte. O que não quer dizer que todos os médicos sejam artistas. Lidar com pessoas implica reconhecer nas pessoas que lidamos a qualidade de serem pessoas. Há a técnica, como em arte também, mas a técnica deverá ser conduzida por elementos mais sutis. Penso que todo médico deveria ter outra arte (seja fazer ou escutar música, fazer ou contemplar pinturas, poemas, etc.) para melhorar sua competência ausculatória da alma do outro.
7. Cite alguns dos piores males para a saúde do homem moderno.

"Perscrutando o vazio" | Arquivo pessoal
R: O pior de todos é a ruptura com a natureza íntima. Mas também (e talvez consequência) temos a pressa louca em resolver as coisas. O comer correndo e sem contemplação. O sedentarismo que, felizmente, vem perdendo espaço. Os interesses econômicos (que são justos, mas não devem ser colocados acima do interesse na saúde). Seguramente tem mais, mas não me vêm agora à mente.
8. De que maneira os sentimentos e pensamentos desarmoniosos se transformam em doenças?
R: Os estudos demonstram que o ressentimento, embora não seja causa de câncer, tem um papel estimulador. Pensamentos negativos alteram o sistema imunológico; sorrisos melhoram a circulação cerebral; cara fechada piora e por aí vai. Também devemos notar que a organização corporal se atém a uma organização energética e esta sofre desarranjos na medida da nossa desarmonia de pensamentos. Entenda-se que isso não significa que a coisa seja simples. Ninguém tem desarmonia mental porque em plena consciência decidiu isso. Não é tarefa fácil penetrar-se a si mesmo o suficiente para ver os próprios desvios. Além disso, infelizmente, muitos que aprenderam que sentimentos e pensamentos interferem na saúde passam a usar isso superficialmente, e se julgam protegidos quando não estão.
9. A Terra está atualmente reagindo, como nunca, às agressões impingidas ao meio ambiente. Você é um otimista com relação à transformação do planeta?
R: Sou. Tenho visto numerosas doenças serem resolvidas quando ao organismo é dada a condição necessária. Penso que o ser humano está avançando rapidamente no sentido de se dar conta. Também vejo que os organismos (incluindo a Terra) têm grande conpetência regenerativa. Claro que precisamos andar mais rápido nesta direção.

"A dança do espírito do beija-flor" | Arquivo pessoal
10. O que te parece belo no ser humano e o que te parece terrível?
R: Sua enorme capacidade de amar. Somos seres incríveis, maravilhosos. Somos seres dotados de dons luminosos. Somos luz. Nossa capacidade de pensar, elaborar mentalmente, ter ideias e lutar por elas, termos capacidade de consciência e de individualidade são o que de mais extraordinariamente belo temos. E isso mesmo é o mais terrível. Grato por estas perguntas, que me fizeram refletir.
* Nota sobre a pintura ”São Francisco e o Sultão”: o santo foi a uma das Cruzadas e dedicou-se a convencer os cruzados a não lutarem, o que muito os desagradou. Então nas guerras foram massacrados. Mas o sultão ficou tão impressionado com Francisco que deu ordem a que ninguém o incomodasse e por isso foi o único cruzado que conseguiu visitar os lugares santos naquele momento. A palavra em grego, biostanatos (vida/morte) é o motivo real do quadro.
Aureo Augusto Caribé de Azevedo, soteropolitano, nascido em jan/1953, é médico formado pela UFBa. Artista plástico, participou de diversas exposições individuais e coletivas em Salvador e em Feira de Santana. Como escritor, colaborou para publicações da área de saúde (Jornal do Conselho Federal de Medicina – Brasília; Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental –RJ; Le Lierre et le Coudrier -França etc.) e outras (Jornal A Tarde – Bahia; Uno Mismo – Chile; Gazeta do Vale – Bahia etc.) com artigos sobre história, filosofia, autoconhecimento, política, crônicas, contos e poemas.
Tem livros publicados na área de saúde (“Liberte-se da Prisão de Ventre” – Ed. Cultrix; Orientação Alimentar – Ed. Deva etc.), e literatura (poesia, contos, crônicas).
Reside na zona rural de Palmeiras (Vale do Capão, distrito de Caeté-Açu), na Chapada Diamantina-Bahia, há 30 anos, onde trabalha com clínica médica, educação para a saúde, promoção da educação e cultura e associativismo.
É criador do Pralerbem, projeto de produção, edição e distribuição gratuita de livros entre estudantes da escola pública com a finalidade de estimular a produção literária e a leitura.
Trabalha há 2 anos no PSF (Posto de Saúde da Família) do Vale do Capão onde além do atendimento ambulatorial participa de atividades educativas em saúde e de prevenção de doenças.
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Veja outros posts sobre a Chapada Diamantina em:
Exposição de Fotografia da Chapada Diamantina – Rui Rezende
II Encontro de Profissionais de PSF do Vale do Capão

Aureo Augusto, médico

"São Francisco e o sultão" (78 cm x 81 cm). Acrílica, ferro velho, pedaço de caveira de cavalo, costelas de cachorro (encontradas nos Gerais). Moldura feita com madeira de porta e cachorro de telhado de casa antiga do Vale do Capão | Arquivo pessoal
5. Você é famoso por transformar o insuspeitável em belo. Sua arte quebra o convencional e utiliza molduras formadas por galhos, fragmentos de janelas e outros elementos. Qual a real intenção em investir em materiais inovadores para compor seus quadros?

"Perscrutando o vazio" | Arquivo pessoal

"A dança do espírito do beija-flor" | Arquivo pessoal
Publicado em Arte, Entrevistas, Meio Ambiente, Saúde | Tags:Arte, Chapada Diamantina, Medicina natural, naturismo, Palmeiras, PSF, Vale do Capão
Bruxismo – Um pesadelo na boca
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Disfunção atinge cerca de 40% da população mundial e causa destruição de dentes e dores diversas
Por Marcia Gomes
O corpo humano sempre encontra alternativas de dizer não às pressões que lhe são impostas, sejam estas de ordem física ou emocional, e o bruxismo é uma delas. Definido pela odontologia não exatamente como uma doença, mas como uma disfunção, é um hábito adquirido inconscientemente, que consiste em raspar, durante o sono, as superfícies dos dentes superiores contra os inferiores.
Pelo menos 40% da população mundial pratica bruxismo ou briquismo, como também é definido e, segundo o odontólogo Leonardo Trench, especialista em dor orofacial e em disfunção da articulação temporomandibular (ATM), “todo mundo já fez bruxismo um dia”. Na opinião dele, dizer com exatidão quantas pessoas apresentam o problema é muito difícil, já que “todas as pesquisas nessa área são calcadas em populações viciadas”, ou seja, na observação de pacientes que já apresentam os sintomas.
A palavra bruxismo deriva do francês “la bruxomanie”, numa analogia ao fato de se acreditar que o rangimento e trincamento de dentes é algo inerente a bruxos. O termo foi utilizado pela primeira vez em 1907. Patologia de ocorrência comum, o bruxismo é encontrado em todas as faixas etárias, com prevalência maior nas mulheres. Responsável pela coordenação do ambulatório de dor da Associação Brasileira de Odontologia – Bahia (ABO-BA), Leonardo Trench não se arrisca em afirmar que, de fato, as mulheres apresentem mais do que os homens tal comportamento. “Elas são mais cuidadosas com a saúde, procuram mais o médico e o dentista”, explica Trench, ao destacar que a faixa etária de maior incidência do bruxômano ou bruxista é entre os 20 e 45 anos.
Em crianças, o bruxismo é muito normal, segundo o especialista, durante a fase de troca da dentição. Contudo, ele alerta para a importância de os pais observarem se após este período o fenômeno ainda persiste. “Uma situação qualquer pode vir a deflagrar um processo traumático no psicológico ou, ainda, pode ser que a criança esteja desenvolvendo uma verminose”, explica.
Trench salienta que mesmo após ter iniciado o tratamento, “quando o paciente entra em período de estresse, volta a desenvolver a prática, pois o bruxismo deixa cicatrizes no sistema nervoso, por mais que esteja controlado”.
TRATAMENTO – O bruxismo causa um desgaste excessivo nos dentes, sendo o esmalte a primeira estrutura a ser afetada. É mais comumente severo nos dentes anteriores, não sendo um desgaste uniforme, isto quando se trata de dentes naturais. Já com indivíduos portadores de prótese total, pode ocorrer o inverso, sendo maior o desgaste nos dentes posteriores.
A frequência e a severidade do bruxismo podem variar e aumentar a cada noite. Quando noturno, o bruxismo envolve movimentos rítmicos semelhantes ao da mastigação, com longos períodos de contração dos músculos mandibulares. Esses movimentos, contrações, podem superar os realizados durante o esforço consciente, sendo causa de dor muscular e fadiga. Quando feito em estado de vigília, o nome muda para bruxomania.
Segundo o odontólogo especialista em cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial Fernando Antônio Bastos, uma das terapias mais empregadas, atualmente, para o alívio dos sinais e sintomas de disfunção da ATM associados ao bruxismo é a utilização de placas (acrílicas) interoclusais, que aumentam a dimensão vertical – medida entre a base do nariz e o queixo (mento).
Fernando Bastos relata que os hábitos (parafuncionais) que fogem ao funcionamento normal do complexo estomatugnático-boca, tais como roer unha, mascar chicletes, morder ou apertar objetos estranhos entre os dentes, devem ser considerados um vício concomitante do bruxismo e, portanto, devem ser eliminados durante o tratamento. Tais procedimentos põem os maxilares em funcionamento incessante e desnecessário, o que causa uma desordem mandibular e acarreta desconforto muscular facial.

Fernando avisa que o que foi perdido deverá ser reconstruído com materiais resinosos e adverte ainda que “é importante que a placa interoclusal seja produzida em consultório odontológico, com um profissional especializado”.
Até hoje, não se conhece um método de tratamento para eliminar permanentemente o bruxismo. Um atendimento multidisciplinar composto por profissionais de áreas diversas é o mais indicado pelos especialistas. Na ABO-BA, desde 2001, existe um serviço gratuito em dor orofacial para pessoas carentes, que são atendidas por psicoterapeuta, fonoaudiólogo, neurologista, ortopedista funcional dos maxilares, reumatologista, ortodontista, protesista, endodontista e periodontista.
Dos cerca de 40 pacientes assistidos semanalmente na ABO-BA, 14 apresentam bruxismo. As marcações de consulta estão encerradas e somente serão reabertas em julho de 2006.
Psicanálise atribui culpa ao estresse

Prótese é utilizada à noite, durante o sono
Na opinião da psicanalista Carolina Furtado, que trata, desde 2003, de pacientes com bruxismo, existe uma causalidade múltipla para explicar a ocorrência desta disfunção. Segundo ela, que trabalha paralelamente a odontólogos especialistas em dor orofacial, a psicanálise vai observar de que maneira se processa a relação do indivíduo com a vida e a descarga das tensões a que este é submetido.
Carolina detecta que o bruxismo surge, muitas vezes, nos momentos em que o paciente sente a necessidade de colocar para fora as tensões impostas pelo estresse diário e não consegue falar. “A doença aparece para expressar que algo não vai bem, sobretudo nas pessoas que não conseguem colocar para fora o que lhes incomoda”, explica.
A partir da psicanálise, segundo a profissional, a pessoa começa a se dar conta de que podem existir fatores psíquicos que acarretam o mal. “Não adianta apenas usar a placa de proteção. Ela acaba apenas funcionando como um paliativo”, advertiu Carolina, ao apontar que é fundamental, na verdade, que o bruxômano adote uma mudança de posicionamento diante da vida e da maneira de como enfrenta seus desafios.
O processo psicanalítico possibilita, através da própria fala de quem sofre de bruxismo, o afloramento das razões que causam esta disfunção. “Enquanto fala, o paciente coloca em palavras o que vinha, até então, expressando no ato de morder ou ranger os dentes”, frisou Carolina. Ela disse que os processos acontecem de maneira inconsciente e que as pessoas não conseguem, sem uma investigação terapêutica, se dar conta de por que desenvolvem tal comportamento.
Exame detalhado confirma diagnóstico
Há dois anos, uma enxaqueca constante levou a economista Patrícia Costa Oliveira, de 34 anos, a procurar o neurologista André Muniz, que imediatamente diagnosticou que a causa das suas dores estavam relacionadas ao bruxismo e a uma disfunção da articulação temporomadibular. “Só de tocar na minha face ele percebeu que meu caso era bruxismo, por causa da rigidez característica neste local em quem tem esse costume”, disse Patrícia. Uma bateria de exames mais detalhados confirmou o quadro e ela, então, foi encaminhada a um especialista para dar início ao tratamento e também corrigir a densidade da mordida, que, segundo seus exames, é irregular.
Patrícia relata que depois que começou a usar a placa interoclusal sentiu um grande alívio, mas ainda é acometida por dores de cabeça e fadiga ao acordar. “Meu estresse me faz apertar os dentes, tanto acordada quanto dormindo e, de manhã, isso me causa, em períodos de muita tensão, uma sensação terrível de cansaço”, disse. Ela atribui a problemática ao desgaste emocional e às responsabilidades que lhe são impingidas pelo dia-a-dia. Patrícia confessa que, nos períodos de TPM, a pressão na mandíbula aumenta e brinca ao revelar: “Não posso ver um bocal de caneta que levo à boca para morder.”
A secretária Edileusa Bispo dos Santos, 30 anos, se deu conta, em 1996, de que algo não estava indo bem com sua boca. “Já quebrei um dente sadio de tanto apertar os dentes”, admite. Ela conta que a equipe multidisciplinar que cuida de seu caso não conseguiu identificar ainda se ela apresenta bruxismo porque tem arterite temporal ou se desenvolveu essa inflamação na artéria em função do bruxismo.
Edileusa já partiu três placas interoclusais enquanto dormia. Atualmente, ela utiliza um aparelho ortopédico para amortizar a força que imprime com os dentes e para corrigir a forma de mastigar. “Meu rosto incha, visivelmente, sinto muita dor no maxilar, na nuca e no ouvido e, por conta da arterite, várias partes do meu corpo também incham”, comentou Edileusa. Ela diz que é obrigada a fazer uso de medicação para relaxar a musculatura facial antes de dormir e que mesmo assim ainda acorda com a sensação de que não descansou durante a noite.
(Matéria foi publicada na edição de 18/09/2005, no Jornal A TARDE








